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sábado, 22 de julho de 2017

Manipulação e Fake News: Debate no Goethe-Institut (2016)


Em dezembro de 2016, o Goethe-Institut do Rio de Janeiro organizou um debate sobre fake news. Christopher Bieber, Professor de Ética na Gestão Pública e Social da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha), fez uma palestra sobre o tema. Em seguida, eu apresentei alguns comentários, disponíveis no link abaixo. 

Tem havido muita discussão recentemente sobre como controlar, regular, ou banir fake news das redes sociais. No comentário, eu sugiro que a existência e proliferação de fake news podem contribuir para a gradual emergência de uma postura mais crítica relativamente às notícias que lemos e compartilhamos nas redes sociais. 

Eu chamo atenção para dois casos de fakes news criativas. O primeiro diz respeito a um programa de rádio produzido por Orson Welles em 1938; o segundo caso diz respeito às postagens do escritor Ricardo Lísias, em seu perfil no Facebook, ao longo de 2015.

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© Como citar esta palestra: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Manipulação e fake news". Debate na Biblioteca do Goethe-Institut. Rio de Janeiro, 7 de dezembro.
DOI: 10.13140/RG.2.2.17363.07207.

Eu retomo esse tema no livro: Novas Tecnologias e Dilemas Éticos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor (2015 / ficção)


No Brasil, não faltam crimes nas manchetes de jornal e noticiários da TV. Então, que importância ainda teria nos lembrarmos de um homicídio que ocorreu há 100 anos na cidade do Rio de Janeiro? “Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor” é uma narrativa de ficção sobre a morte do poeta gaúcho Annibal Theophilo, morto pelo deputado federal Gilberto Amado em 1915. O crime ocorreu em plena Avenida Rio Branco, na esquina com a Rua do Ouvidor, no centro do Rio.

Todos os diálogos deste conto foram diretamente extraídos de jornais da época, que publicavam diariamente notícias sobre o crime que abalou a cidade do Rio de Janeiro, mas que depois foi caindo em esquecimento.

Trecho: "Paulo, contudo, como se quisesse demonstrar na prática o que propusera a Gilberto em teoria, e para que não o acusassem de incoerência depois, empunhou em riste a bengala e partiu para cima do poeta. Aníbal, mais corpulento do que Paulo, surpreendeu o agressor: agarrou-o pela gola fazendo o homem sacudir dentro do fraque. Foi uma gritaria no saguão, um pandemônio de se ouvir na Rio Branco: mais insultos, ofensas, acusações que vinham de todos os flancos descobertos. Os Champs-Élysées nos trópicos mais lembravam agora as trincheiras de uma guerra em pleno curso na Europa. Mas não durou muito tempo o combate. Foram três disparos de um revólver para encerrar o conflito. Duas balas na parede. A terceira, desferida pelas costas, atingiu Aníbal na nuca. O poeta morreu na ambulância a caminho do hospital."

As razões para o esquecimento do crime dizem muito sobre a nossa incapacidade para preservar adequadamente nossa memória e escrevermos nossa história. Num texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional eu abordo essa questão.

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[ imagem ] Revista Fon Fon, 26 de julho de 1915, p. 22. 

© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor". dEsEnrEdoS. Teresina, ano VII, n. 24, p. 1-8. ISSN 2175-3903

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas (2016)

Este é o resumo de uma comunicação feita no “III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional”, realizado entre os dias 15 e 19 de novembro de 2016 no Instituto de Letras da UERJ.

Na imprensa americana aparecem todos os dias milhares de artigos escritos por programas de computador. Mas os leitores mal se dão conta de que por trás das matérias não há uma pessoa de fato, mas um “jornalista robô”. No debate político vem ocorrendo um fenômeno semelhante: o fórum para discussão hoje em dia são as redes sociais, mas uma boa parte das opiniões expressas sob a forma de tweets não são escritas por pessoas, mas por inteligência artificial. Como um órgão da imprensa noticiou o problema: “Robôs dominam debate político nas redes sociais”. Em março de 2016 os organizadores do Prêmio Nikkei Hoshi Shinichi de Literatura, no Japão, anunciaram que, dos 1450 romances inscritos, 11 foram escritos em “co-autoria” com algoritmos. Um deles chegou às finais. Já existem até concursos literários voltados para narrativas de ficção geradas por inteligência artificial. 

Uma questão de que a teoria literária terá de se ocupar daqui para frente diz respeito à natureza desse tipo de produção textual. Quem são seus autores? Que personagens são esses nos debates políticos? Qual é o lugar do escritor em sociedades em que narrativas de ficção são geradas por algoritmos? 

O objetivo desta comunicação é examinar essas questões. Pretendo me concentrar na discussão sobre “chatbots”: programas de computador com os quais interagimos através de mensagens de texto. O primeiro chatbot foi criado por J. Weizenbaum em 1966 e se chamava Eliza. O nome é uma homenagem à personagem Eliza Doolittle, da peça Pygmalion (1913), de G. B. Shaw. Mas agora, 50 anos depois, a relação entre chatbots e a literatura se tornou mais estreita. Um chatbot é antes de qualquer coisa uma obra de ficção escrita em linguagem de programação. A criação de chatbots sofisticados vem exigindo cada vez mais o trabalho conjunto de programadores e escritores profissionais. Minha intenção é discutir uma concepção de intertextualidade que nos permita compreender a relação entre narrativas de ficção e linguagem de programação.

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© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. 
“A criação de chatbots é o futuro do trabalho do escritor? Gerando narrativas de ficção em sociedades algorítmicas”. In: A personagem nos mundos possíveis do insólito ficcional. Caderno de resumos e programação. III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Rio de Janeiro: UERJ /  Instituto de Letras, p. 208.
(ISBN 978-85-8199-055-2).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years (2016)

Em novembro de 2016 ocorreu na cidade de São Carlos, em São Paulo, o encontro bianual do Brazilian Humboldt Kolleg, promovido pela Fundação Alexander von Humboldt. O tema deste ano foi "Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future". O evento reuniu pesquisadores de diversas áreas, e diferentes partes do mundo, para a discussão de suas pesquisas.

Eu falei sobre a história das próteses do período que transcorreu entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Pode não parecer, mas essa discussão é importante para compreendermos melhor o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento humano. No link, o resumo da comunicação que apresentei.

[ PDF ]
[ página do evento ]

© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. "The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years". In: Brazilian Humboldt Kolleg: Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 3-6 de novembro, p. 71-73. 
ISBN: 978-85-7241-846-1.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria? (2016)

Nem sempre nos damos conta disso, mas existem muitos textos publicados na imprensa de língua inglesa que não foram escritos por jornalistas de verdade, mas por programas de computador. Já existem milhares de livros, vendidos na livraria da Amazon, que não foram escritos por pessoas, mas por algoritmos capazes de compilar textos sobre temas específicos a partir de outros textos disponíveis online. 

Em 2014, a editora Springer constatou que mais de 120 textos, gerados por algoritmos, haviam sido publicados em algumas de suas revistas. Mais recentemente, dois grupos de pesquisadores publicaram suas pesquisas sobre o uso de algoritmos capazes de gerar hipóteses científicas para serem testadas empiricamente. E no início de 2016 um pesquisador do MIT criou um algoritmo capaz de gerar automaticamente discursos políticos a partir da análise dos discursos feitos pelos congressistas americanos. 

Não deve transcorrer muito tempo, portanto, até que o uso de algoritmos para a geração de textos acadêmicos comece a se difundir nas universidades também. 

O objetivo deste artigo é discutir algumas das implicações do uso de inteligência artificial para a produção de textos acadêmicos, especialmente textos de filosofia. Noções como “autoria” e “originalidade”, como sugiro no artigo, terão de ser redefinidas no futuro.

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria?". In: Logeion: Filosofia da Informação, vol. 3, n. 1, 2016, p. p. 89-107. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs (2016)

Você não gostaria de ser mais inteligente ou mais forte? E se novas tecnologias fossem utilizadas para aumentar nossas capacidades físicas e cognitivas? Tem havido muita discussão atualmente sobre a ética do “aprimoramento humano”. Avanços tecnológicos recentes podem talvez ter desencadeado esse debate. Mas a preocupação com a ética do aprimoramento humano não é nova. 

Para avaliarmos as consequências do aprimoramento humano no futuro eu proponho que examinemos antes o debate sobre o aprimoramento humano no passado. Esse artigo mostra que a investigação histórica sobre a produção em massa de próteses durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais é imprescindível para compreendermos melhor o debate filosófico atual sobre aprimoramento humano.

[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs. What century-old prosthetic limbs reveal about attitudes towards human enhancement today". In The Conversation, 6 de setembro de 2016.

domingo, 28 de agosto de 2016

Crônica de uma morte esquecida (2016)

Por que revisitar um crime que aconteceu há cem anos na cidade do Rio de Janeiro, em plena Avenida Rio Branco? 

A proposta deste artigo é reconstruir as circunstâncias em torno da morte do poeta gaúcho Aníbal Teófilo, assassinado pelo deputado federal Gilberto Amado em junho 1915. 

A causa do crime foi uma disputa literária. Amado foi absolvido pelo tribunal de júri da época, mas continuou a exercer cargos públicos: ele foi senador da República, professor de direito penal da Faculdade de Direito de Recife e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Amado foi também diplomata, embaixador, e diretor da Caixa Econômica Federal. Em 1963 Amado tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras. Mas o episódio de 1915 não é mencionado em sua biografia. A morte de Aníbal Teófilo acabou caindo em esquecimento. 

A primeira versão deste artigo foi publicada sob a forma de uma narrativa ficcional na revista Desenredos em outubro de 2015.

[ PDF ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Crônica de uma morte esquecida: Após assassinar o poeta Annibal Teophilo, o escritor e político Gilberto Amado foi absolvido e continuou em cargos públicos.” In: Revista de História. Biblioteca Nacional: Rio de Janeiro, n. 124, p. 36-39, 28 julho de 2016.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano (2016)

O uso de certas drogas para fins de melhoramento do desempenho nos esportes é banido pelas autoridades esportivas. Mas como pretendo mostrar neste artigo, os principais argumentos contra o uso de tecnologias para aprimoramento nos esportes são problemáticos. 

Autores como, por exemplo, Michael Sandel se comprometem com uma concepção metafísica de natureza humana na defesa da manutenção das regras que proíbem o uso de doping. Essa concepção de natureza humana, como procuro mostrar no artigo, é incompatível com a ideia corrente segundo a qual seres humanos resultam de um gradual processo de evolução por seleção natural. 

Disso não se segue, porém, como procuro mostrar na última sessão do artigo, que nenhuma das regras que proíbem o uso de tecnologias para fins de aprimoramento nos esportes seja moralmente justificada. O artigo argumenta em prol de uma liberação parcial de algumas drogas e procedimentos para fins de melhoramento do desempenho nos esportes.

[ PDF ]
[ online ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano". Prometeus, vol. 9, n. 20, p. 17-39. (ISSN: 2176-5960).

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A ética do aprimoramento humano: Um exame à luz do “homo prostheticus” do período entreguerras (resumo / 2016)

Uma ideia que temos das ciências da saúde é que elas têm por função proporcionar às pessoas um tratamento ou cura para diversas doenças. As ciências da saúde podem também desenvolver técnicas que permitam às pessoas recuperar, tanto quanto possível, capacidades físicas ou cognitivas perdidas em consequência de acidentes, doenças, ou em decorrência do avançar da idade. Mas, de modo geral, não temos a expectativa de que as ciências da saúde tenham também por função “aprimorar” nossas capacidades físicas e cognitivas. 

Por “aprimorar” se entende aqui a tentativa de não apenas reconduzir certas capacidades físicas e cognitivas a um nível considerado normal. “Aprimorar” – no debate bioético contemporâneo – consiste em elevar nosso rendimento, no exercício de certas capacidades físicas ou cognitivas, a um patamar superior àquele considerado normal. 

Afinal, uma coisa é dar Ritalina a uma criança diagnosticada com TDAH para que ela possa ter um bom rendimento escolar, outra coisa bem diferente é dar Ritalina a uma pessoa que não tem nenhum sinal de TDAH para que ela possa aumentar seu nível de concentração nos estudos e, assim, se preparar para concursos. Uma coisa é dar a uma pessoa que teve uma perna amputada uma prótese na expectativa de que ela possa, tanto quanto possível, voltar a caminhar normalmente, outra coisa bem diferente é amputar uma perna saudável para colocar no lugar uma prótese que nos permita correr mais do que poderíamos com uma perna normal. 

Meu objetivo aqui é investigar as origens do debate sobre “aprimoramento humano” numa discussão que se deu no início do século XX: a discussão sobre a criação e distribuição de próteses para os milhares de soldados que retornavam da Primeira Guerra Mundial com mãos, braços e pernas amputadas. No período entreguerras houve uma grande discussão sobre a produção em massa, e distribuição em larga escala, de próteses que permitissem aos ex-combatentes voltar à força de trabalho. A discussão sobre próteses passou a polarizar de tal modo o debate político e cultural dessa época que é possível mesmo falarmos do surgimento da figura do “homo prostheticus” durante esse período. Muitas pessoas viam o “homo prostheticus” como símbolo da desumanização do ser humano por meio da tecnologia. Outras viam no “homo prostheticus” mais do que um deficiente físico que teve suas capacidades físicas restabelecidas por meio de próteses sofisticadas. 

O “homo prostheticus” era visto por elas como uma espécie de “super-homem”, um indivíduo munido de capacidades superiores àquelas das pessoas normais. Como pretendo mostrar, é no contexto do debate sobre a figura do “homo prostheticus” que surge pela primeira vez a discussão sobre as consequências éticas e sociais de políticas para o “aprimoramento humano”. A discussão que pretendo apresentar aqui, no entanto, não é meramente histórica. Essa discussão – acredito – nos permite lidar com algumas importantes objeções que são contemporaneamente feitas ao aprimoramento humano.

[ resumo no site da ANPOF ]
[ programação completa do evento, 2016 ]

© Como citar este resumo: 
Araujo, Marcelo de. 2020. "A ética do aprimoramento humano: Um exame à luz do “homo prostheticus” do período entreguerras". In: XVII Encontro Nacional ANPOF (Aracaju, SE, 2016). São Paulo: ANPOF, 2016, p.66 e p. 318 (ISBN 978-85-88072-42-8).

Este trabalho foi aceito para apresentação, mas circunstâncias diversas me impediram de participar do evento.

CRISPR-Cas9: Editando o DNA de plantas, animais, e do próprio ser humano (2016)

CRISPR-Cas9 é uma ferramenta revolucionária para se “recortar e colar” o DNA de qualquer organismo vivo. CRISPR-Cas9 abre as portas para o tratamento e cura de inúmeras doenças hereditárias. CRISPR-Cas9 já tornou possível a criação de mosquitos que não transmitem malária ou dengue, e de sementes mais resistentes a pragas. Especula-se que, nas próximas décadas, porcos geneticamente modificados poderiam ser usados para produzir órgãos que poderiam então ser transplantados em seres humanos.

Mas que tipo de limite deveria ser imposto ao uso dessa nova tecnologia? Do ano passado para cá já foram realizados quatro fóruns mundiais para se debater as implicações éticas e jurídicas da edição do genoma de plantas, animais, e do próprio ser humano. No Brasil, o debate ainda está começando. No link, um artigo meu sobre o tema.

[ PDF ]
[ online ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Brasil e o genoma humano, discussões sobre o CRISPR-Cas9". In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo), n. 489, ano 16, 18 de julho de 2016, p. 13-15. (ISSN 1981-8793). 

Eu retomo esse tema no livro: Novas Tecnologias e Dilemas Morais.

sábado, 9 de julho de 2016

Intertextualidade, metaficção e autoficção: Fronteiras da narrativa de ficção na literatura do início do século XXI (2016)

Na literatura da segunda metade do século XX, existem várias obras em que é explícita a alusão e até mesmo a apropriação de elementos de outras obras literárias. Narrativas de ficção que têm como tema a própria produção de narrativas de ficção se tornaram também frequentes na literatura contemporânea. Em algumas obras literárias, a linha que perpassa a fronteira entre a figura do autor e a figura do narrador se tornou bastante fluida. 

O objetivo deste artigo é examinar como algumas obras literárias bem recentes, produzidas nos últimos dez anos, têm levado a intertextualidade, a metaficção, e a autoficção às últimas consequências. Essas obras, como procuro mostrar no artigo, exploram as fronteiras da literatura com as artes visuais, com o plágio, com relatos autobiográficos, e com o universo de textos publicados sob a forma de postagens nas redes sociais. 

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar esta artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Intertextualidade, metaficção e autoficção: Fronteiras da narrativa de ficção na literatura do início do século XXI". Viso, 2016, vol. 18, p. 141-161. (ISSN 1981-4062).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entre o tratamento e o aprimoramento humano (2015 / entrevista)

Em épocas de Olimpíadas ou de Copa do Mundo vem novamente à tona a discussão sobre o doping nos esportes. Mas já faz algum tempo algumas pessoas vêm se perguntando se não haveria uma outra modalidade de doping, fora dos estádios esportivos: o uso de drogas para melhorar o rendimento nos estudos. Muitas pessoas vêm recorrendo a drogas como metilfenidato ou modafinil para se preparar para provas e concursos. Essas drogas são às vezes denominadas "smart drugs". Mas "smart drugs" realmente funcionam? Elas são seguras? A que tipo de regulação drogas para fins de "melhoramento cognitivo" deveriam ser submetidas? 

Ao mesmo tempo em que começa a surgir no Brasil e em outros países um amplo debate sobre a legalização de drogas para fins "recreacionais", a discussão sobre a existência, eficácia, e segurança de drogas para "aprimoramento cognitivo" não é sequer considerada. 

A Revista da Unisinos dedicou esse número de junho ao debate sobre "smart drugs". Esse debate, como procuro mostrar na entrevista, está subordinado a um debate ainda mais amplo, e que diz respeito ao uso de novas tecnologias para fins de melhoramento de nossa performance em diversas atividades físicas e cognitivas. No link, minha contribuição para o tema. 

[ PDF ]
[ texto online ]

© Como citar esta entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. "Entre o tratamento e o aprimoramento humano?" Entrevista concedida a Ricardo Machado. In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos. São Leopoldo, vol. 487, ano 16, 2016, p. 37-42 (ISSN 1981-8769).

segunda-feira, 9 de maio de 2016

David Hume e o “número de Dunbar”: uma abordagem evolucionista sobre os fundamentos da moralidade (2016)

Quantos amigos você tem no Facebook? Mais de 150? Então alguns talvez não sejam realmente seus amigos. A questão é saber por quê. 

O antropólogo Robin Dunbar propôs há alguns anos que o número máximo de indivíduos com os quais podemos manter relações pessoais, e cultivar laços de amizade, é de aproximadamente 150 pessoas. Isso ocorre por causa de uma limitação cognitiva de seres humanos, e não pela falta de interesse em expandir nosso círculo de amizade.

O objetivo deste artigo é examinar algumas implicações que a hipótese de Dunbar tem para a filosofia moral. A ideia central que proponho aqui é que a "justiça" é uma convenção social indispensável para que possamos interagir de modo cooperativo no contexto de grupos que ultrapassam o "numero de Dunbar". O artigo retoma, por um lado, a teoria da justiça proposta por David Hume na terceira seção de Uma Investigação sobre os Princípios da Moral, e, por outro lado, a hipótese de Dunbar acerca do número máximo de indivíduos com os quais uma pessoa pode manter relações sociais estáveis. 

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de: "David Hume e o 'número de Dunbar': uma abordagem evolucionista sobre os fundamentos da moralidade". In: Veritas, 2016, v. 61, n. 1, p.89-106. DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1984-6746.2016.1.21659.

sábado, 7 de maio de 2016

Um presente para Alice (2016 / ficção)

Esse conto foi publicado em janeiro de 2016 na Revista Subversa. Trata-se de um texto de ficção, mas a narrativa gira em torno de um tema que me interessa bastante em filosofia: a questão do "aprimoramento humano".

Trecho: "Quando um velho atleta africano morreu na prisão, uns quarenta anos antes do aniversário de Alice, poucos ainda se lembrariam daquela tarde de sábado nas Olimpíadas de 2012 na Inglaterra: a imagem do esportista correndo sobre próteses, lado a lado de atletas normais, comoveu as multidões. Não lhe faltaram condecorações naquele ano glorioso, incluindo um doutorado honoris causa por uma obscura universidade escocesa. Pistorius entrou para a história dos esportes olímpicos. E por mais de uma razão."

[ PDF ]

© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Um presente para Alice". In Subversa 4(1): p. 35-40. ISSN 2359-5817.

domingo, 1 de maio de 2016

Os algoritmos e os desafios às novas configurações acadêmicas (2016)

Esse artigo resulta de minha pesquisa recente sobre filosofia da tecnologia. 

Imagine que houvesse um programa de computador capaz de gerar automaticamente uma monografia de final de curso, ou uma dissertação de mestrado, ou até mesmo uma tese de doutorado. Basta escolher o tema e indicar a bibliografia principal. O texto gerado pelo computador seria uma espécie de plágio? Que tipo de repercussão isso teria para a vida acadêmica?

Todos os dias milhares de textos gerados automaticamente por algoritmos são publicados na imprensa americana. Na livraria online da Amazon existem milhares de títulos que não foram escritos por pessoas, mas gerados por algoritmos. Recentemente um concurso literário no Japão contou a inscrição de onze romances escritos – ou em alguns casos co-escritos – por algoritmos para geração automática de textos. A pergunta sobre o impacto que esse tipo de tecnologia teria para a vida acadêmica ainda não vem sido debatida, mas eu acredito que esse vai se tornar um tema importante nas próximas décadas.

Neste artigo para a Revista do Instituto Humanitas eu examino esse problema de modo bastante sucinto. Na versão online os links não estão ativos, mas na versão em PDF é possível acessar praticamente todas as fontes que usei para escrever o texto.

[ PDF ]
[ online ]
[ em espanhol publicado pela agência de notícias Adital ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Os algoritmos e os desafios às novas configurações acadêmicas". In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo), n. 482, ano 16, 4 de abril de 2016, p. 14-16. ISSN 1981-8793.

Eu retomo esse tema no livro: Novas Tecnologias e Dilemas Éticos. 

sábado, 30 de abril de 2016

Gerador de teorias. Hipóteses científicas não caem do céu: cada vez mais, são geradas por inteligência artificial (2016)

Esse texto resulta da minha pesquisa sobre a filosofia da tecnologia. 

Até uns vinte anos atrás, o grande problema para fazer pesquisa de qualidade no Brasil era o acesso à literatura. Mas isso já não é mais um grande problema. Existe muito material disponível online. O problema mesmo, agora, é acompanhar a enorme quantidade de artigos e livros que aparecem todos os dias. É impossível ler tudo que se publica sobre um determinado tema. 

Impossível? 

E se um programa de computador lesse para nós toda a literatura científica sobre um determinado assunto, e em seguida formulasse algumas hipóteses interessantes para serem verificadas empiricamente? Já existem pelo menos dois programas capazes de fazer isso: KnIT e brainSCANr. O primeiro foi criado por Olivier Lichtarge e Scott Spangler. O segundo foi desenvolvido pelo casal Bradley Voytek e Jessica Voytek. Confira mais detalhes sobre essas máquinas de gerar hipóteses nesse artigo que publiquei na Ciência Hoje.

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Gerador de teorias. Hipóteses científicas não caem do céu: cada vez mais, são geradas por inteligência artificial". In Ciência Hoje, 29 de março de 2016.

Eu retomo esse tema no livro:  Novas Tecnologias e Dilemas Éticos.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A ética da edição do genoma humano com CRISPR-Cas9 (2016)

Em janeiro de 2016 eu apresentei na Universidade de Oxford, Inglaterra, um trabalho sobre a moralidade da "edição" do genoma humano. A programação do evento, com o resumo do trabalho que apresentei, está disponível no link abaixo. Mas por que esse é um tema importante?

Em Abril de 2015 cientistas chineses publicaram um artigo em que afirmam ter empregado CRISPR-Cas9, um novo método para edição de genoma, em 86 embriões humanos. Os embriões usados no experimento eram "não viáveis", o que significa que não poderiam se desenvolver e formar um feto. O experimento tinha como objetivo investigar a possibilidade de cura para doenças congênitas tais como beta-thalassemia, Tay-Sachs, fibróses cística, hemofilia, etc. Mais recentemente, uma equipe de cientistas britânicos obteve uma autorização para realizar um experimento semelhante. 

A simples possibilidade de que, no futuro, a edição do genoma humano possa vir a ser usada para gerar um bebê com "super-inteligência", ou outras característica previamente escolhida, já foi suficiente para causar um grande debate entre filósofos, cientistas, e legisladores. 

O que está aqui em questão é a moralidade e a legalidade da edição do genoma humano. Trata-se de um debate importante, mas que não teve ainda muitos reflexos no Brasil. 

[ PDF programação ]
[ site do evento ]

© Como citar este abstract:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "The ethics of editing the human genome with CRISPR-Cas9". In Human Enhancement and the Law: Regulating for the Future, 7-8 January 2016, St Anne's College, University of Oxford, p. 14.

A primeira versão desse texto foi apresentada no "7th International Symposium on Justice", na PUC de Porto Alegre, em novembro de 2015.