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sábado, 9 de maio de 2026

Addressing global risks through ante-factum and post-factum mitigation: Different meanings of the term mitigation across climate and pandemic debates (article / 2026)

The term mitigation plays a central role in both climate change and pandemic debates, yet it is used with markedly different – and often conflated – meanings across these domains. This article offers a systematic conceptual analysis of mitigation by distinguishing between ante-factum mitigation and post-factum mitigation. Ante-factum mitigation refers to measures aimed at reducing the likelihood that a harmful event will occur, whereas post-factum mitigation concerns efforts to prevent the worst consequences of an event that has already materialized.

Drawing on the history of climate ethics, the paper shows how early ambiguities surrounding mitigation, adaptation, and prevention re-emerged in pandemic ethics, particularly before and during the COVID-19 pandemic. The analysis demonstrates that much confusion in policy and ethical debates stems from shifting objects of mitigation rather than from substantive disagreement about goals. Clarifying these distinctions is essential for evaluating preparedness, response, and responsibility in the governance of global risks. The article concludes that conceptual precision regarding mitigation is indispensable for coherent ethical analysis and effective policymaking in both climate and pandemic contexts

[ PDF ]

© Como citar este capítulo:
Araujo, M. de, Fior, P. and Sousa, A.M.D. (2026) "Addressing global risks through ante-factum and post-factum mitigation: different meanings of the term mitigation across climate and pandemic debates", Filosofia Unisinos, 27(1), pp. 1–16. Available at: https://doi.org/10.4013/fsu.2026.271.15.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Defining Research Priorities on Climate-Sensitive Infectious Disease Justice for South America (capítulo / 2025)

 

Abstract: Setting research priorities helps to optimise responses to climate-sensitive infectious diseases. When it comes to infectious disease justice, it is essential to identify the just paths for building resilience. This is particularly challenging in the area of climate-sensitive infectious diseases, in which available adaptation paths differ depending on epidemic evolution and future mitigation scenarios. Moreover, due to the communicable nature of infectious diseases and poorly controlled borders, transformative changes are necessary for controlling climate-sensitive infectious diseases in regions such as South America (SA). Attributable to the particularities of this continent, some containment measures, such as lockdowns or school closures, can create unjust burdens, as the case of the COVID-19 pandemic has shown. This study shows the outcome of a philosophical conversation aimed to identify the regional background conditions that make climate-sensitive infectious disease justice in SA necessary and possible.

© Como citar este capítulo:
Rekers, Romina, Marcelo De Araujo, Timothy Daly, Pedro Fior, et al. "Defining research priorities on climate-sensitive infectious disease justice for South America" In Climate Change and Health: Perspectives from Developing Countries, edited by Walter Leal Filho and Franziska Wolf. Climate Change Management. Springer Nature Switzerland, 2025. https://doi.org/10.1007/978-3-031-93177-2_13.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Promoting science communication for the purpose of pandemic preparedness and response: An assessment of the relevance of pre-COVID pandemic “early warnings” (artigo / 2024)




Given the abrupt global disruption caused by SARS-CoV-2, one might think that the COVID pandemic was an unpredictable event. But in the years leading up to the emergence of the COVID pandemic, several documents had already been warning of the increasing occurrences of new disease outbreaks with pandemic potential and lack of corresponding policies to promote pandemic preparedness and response

In this article, we call these documents “early warnings”. We argue that a survey of early warnings can help science communicators to promote the public understanding of evidence-based pandemic preparedness and response policies at local or international level. Our proposal differs from other approaches to pandemic preparedness and response in that it highlights the relevance of documents published before the COVID outbreak. We show that the early warnings did not become outdated after the COVID outbreak, but, rather, that they are even more pressing now.

© Como citar este artigo:
Araujo, Marcelo de and Costa, Daniel de Vasconcelos. "Promoting Science Communication for the Purpose of Pandemic Preparedness and Response: An Assessment of the Relevance of Pre-COVID Pandemic early warnings" Human Affairs, vol. 34, no. 2, 2024, pp. 269-294. https://doi.org/10.1515/humaff-2023-0083

sábado, 30 de março de 2024

Pesquisa analisa consequências morais da pandemia de COVID-19 (entrevista / 2023)


A pandemia de COVID continuará no foco da atenção de muita pesquisa pelos próximos anos. Nessa entrevista para o programa de TV Boletim Ciência, do Ministério da Saúde, Pedro Fior e eu falamos sobre como as mudanças climáticas podem contribuir para o surgimento de novas pandemias. A entrevista foi conduzida por Neide Diniz, a quem agradecemos pelo convite. 

Outro ponto da conversa com 
Neide Diniz foi mostrar que, já antes da pandemia de COVID, havia um amplo conhecimento científico de que uma pandemia era não apenas altamente provável, mas praticamente inevitável. Esse conhecimento está bem documentado na Survey of Early Warnings, que Daniel de Vasconcelos e eu publicamos em 2023. 

[ vídeo ]

© Como citar este programa:
Araujo, Marcelo de; Fior, Pedro. "Pesquisa da UERJ analisa consequências morais da pandemia de COVID-19". Entrevista com Neide Diniz para o Boletim Ciência, Programa de TV do Canal Saúde, Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz, 13 de dezembro de 2023. YouTube https://www.youtube.com/watch?v=jmgSp17n39w&ab_channel=CanalSa%C3%BAdeOficial 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Ethical guidelines for the allocation of scarce intensive care units during the COVID‐19 pandemic: Discussing a Brazilian proposal (article / 2023)

Quais devem ser as diretrizes para a alocação eticamente aceitável de recursos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) durante uma pandemia? Neste artigo, defendemos que, no caso de uma grave crise de saúde pública, profissionais de saúde devem avaliar as perspectivas de recuperação do ou da paciente e ter como meta salvar o maior número de vidas. 

A equipe de triagem, composta por profissionais especializados, deve classificar os pacientes em três grupos prioritários, de acordo com o grau de probabilidade de recuperação, medido pelo SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). 

Os profissionais de saúde da linha da frente, no entanto, serão classificados como de maior prioridade, independentemente da sua pontuação SOFA. Para realizar desempates dentro de um mesmo grupo prioritário, são necessários outros critérios, nomeadamente: o princípio dos ciclos de vida e (caso empates persistam) um sorteio. 

[ PDF ]

Araujo, Marcelo de; Azevedo, Marco Antonio; Bonella, Alcino Eduardo; Dall'Agnol, Darlei (2023) "Ethical guidelines for the allocation of scarce intensive care units during the COVID‐19 pandemic: Discussing a Brazilian proposal", Journal of Evaluation in Clinical Practice. DOI: https://doi.org/10.1111/jep.13924.

Critérios e dilemas para uma agenda de adaptação justa às mudanças climáticas e pandemias no Brasil (artigo / 2023)

 

Trecho:

"A implementação de uma agenda deadaptação da saúde que atenda às necessidades da população e responda aos desafios apresentados por cenários de pandemias e mudanças climáticas depende de uma execução orçamentária adequada. Tendo em vista que políticas adaptativas envolvem a alocação de recursos escassos, uma agenda nacional de adaptação da saúde deve satisfazer certos critérios alocativos para assegurar que esta implementação seja conduzida de maneira justa. Três critérios de justiça são comumente elencados para nortear esta empreitada: i) vulnerabilidade, ii)eficiência e iii) desenvolvimento humano sustentável."
[...]
"Recomenda-se, portanto, que especialistas, cientistas, administradores públicos e os mais diversos membros da sociedade civil deem especial atenção a esses e outros dilemas que podem se apresentar para que possam tomar as melhores decisões possíveis ao longo deste desafiador século XXI."

[ PDF ]

© Como citar este artigo: 
Araujo, Marcelo de; Fior, Pedro. "Critérios e dilemas para uma agenda de adaptação justa às mudanças climáticas e pandemias no Brasil". In Bios: Ciência & Ética a Serviço da Vida,  Ano 1, N. 6. Florianópolis: UFSC, 4 de setembro de 2023, 5pp. 

sábado, 16 de setembro de 2023

A era das pandemias não acaba com a COVID-19. Estamos na fase interpandêmica (artigo / 2023)

Artigo sobre a "ética pandêmica" como nova modalidade de disciplina filosófica. Publicado no lançamento da versão brasileira da plataforma The Conversation.

Trechos:

"Para muitas pessoas, a pandemia de COVID-19 pode ter parecido um evento imprevisível, que pegou o mundo de surpresa no início de 2020. Mas isso é um erro. Ao longo dos 20 anos que antecederam a pandemia de COVID-19, diversos estudos já alertavam para o aumento da ocorrência de novos surtos de doenças contagiosas com potencial para desencadear uma pandemia." 

"Publicações científicas, documentos governamentais e intergovernamentais e até mesmo textos jornalísticos também chamavam a atenção para a falta de políticas públicas, em nível nacional e global, para promover medidas de mitigação da pandemia, ou seja, reduzir os riscos de novas pandemias, semelhante às medidas de mitigação para conter o aquecimento global." 


"Não ser negacionista, quando se trata de pandemias, não significa mais simplesmente entender que cloroquina não é o tratamento adequado para COVID-19, ou que vacinas são eficazes e imprescindíveis para a proteção da população. Não ser negacionista significa também reconhecer a relevância de pesquisas científicas que já vinham sendo feitas antes da pandemia de COVID-19, mas às quais não foram dadas até agora a devida atenção. Esses estudos continuam não apenas atuais, mas representam hoje um monumento à relevância da pesquisa científica para a prevenção e solução de crises globais."

[ artigo completo ]

© Como citar este artigo:
Araujo, Marcelo de; de Vasconcelos Costa, Daniel, "A era das pandemias não acaba com a COVID-19. Estamos na fase interpandêmica". In The Conversation, 29 agosto 2023.

domingo, 6 de agosto de 2023

Novas pandemias: Análise de 100 documentos publicados antes da pandemia de COVID pode contribuir para a mitigação de ameaças pandêmicas (Abstract / 2023)

Para muitas pessoas, a pandemia de COVID pode ter parecido um evento imprevisível, que pegou o mundo de surpresa. No entanto, ao longo dos 20 anos que precederam a emergência da pandemia de COVID, vários documentos já alertavam para o aumento da ocorrência de novos surtos de doenças com potencial pandêmico, bem como para a falta de políticas correspondentes para promover medidas de preparação e resposta a pandemias. Nesta apresentação, refiromo-nos a esses documentos como “sinais de alerta” (ou “early warnings”). Nosso objetivo é apresentar e discutir um levantamento de 100 “sinais de alerta”, publicados entre 1999 e 2019. O levantamento de 100 sinais de alertas está disponível aqui: https://europepmc.org/article/ppr/ppr625378

Nossa tese é que a discussão e divulgação desses “sinais de alerta” pode contribuir para a promoção e disseminação de políticas públicas para fins de preparação e resposta a pandemias, tanto a nível internacional quanto a nível local. Nossa proposta difere de outras abordagens na medida em que ela chama atenção para a relevância da literatura publicada antes da emergência da pandemia de COVID. 

No entanto, ao contrário do que se poderia supor, os “sinais de alerta” não se tornaram obsoletos após o surgimento da pandemia de COVID, pois as condições que permitiram a emergência da pandemia, descritas nos “sinais de alerta”, permanecem não apenas vigentes, mas parecem mesmo ter se agravado. 

Embora a Organização Mundial de Saúde tenha decretado o fim da pandemia de COVID em maio de 2023, as condições para a emergência de novas pandemias não foram eliminadas. Daí a importância da disseminação pública de informações baseadas em evidências científicas acerca da alta probabilidade de emergência de novas pandemias no futuro.

[ PDF ]

© Como citar este abstract:
ARAUJO, Marcelo de; Costa, Daniel de Vasconcelos. "Novas pandemias: Análise de 100 documentos publicados antes da pandemia de COVID pode contribuir para a mitigação de ameaças pandêmicas". 2023. In: 13th Principia International Symposium Philosophy of Language and Linguistics. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, p. 175.

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Ética pandêmica e questões de responsabilidade moral: Uma investigação à luz do debate filosófico contemporâneo sobre ética climática (artigo / 2023)

A pandemia de COVID suscitou diversas questões morais relacionadas, por exemplo, à vulnerabilidade de populações indígenas frente à nova doença, ou ao comportamento dos Estados mais ricos relativamente aos Estados mais pobres na distribuição de vacinas, ou relativamente à elaboração de protocolos para alocação de recursos escassos tomando-se como critério a idade dos pacientes.

Consideradas isoladamente, essas questões dizem respeito a diferentes domínios de investigação da filosofia moral, a saber: o da justiça social, o da justiça internacional, e o da justiça intergeneracional. Até o momento, no âmbito da bioética e da filosofia moral, pouco esforço tem sido feito na tentativa de se mostrar que essas e diversas outras questões moralmente relevantes, discutidas durante a pandemia de COVID, deveriam ser examinadas como pertinentes a um campo distinto de investigação filosófica, ao qual me refiro neste artigo como ética pandêmica.

Neste artigo, procuro estabelecer uma estrutura conceitual para a ética pandêmica tendo especialmente em vista a discussão recente sobre atribuições de responsabilidade no âmbito da ética climática.

[ PDF ]
[ revista ]

© Como citar o texto este artigo:
Araujo, Marcelo de. "Ética pandêmica e responsabilidade moral: Uma investigação à luz do debate filosófico sobre ética climática". In: Filosofia Unisinos, vol. 24, n. 2, 2023, pp. 1–20.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

The emerging field of pandemic ethics (Book Chapter / 2023)

The COVID pandemic has raised a plethora of moral questions relative, for instance, to the behaviour of citizens during a health crisis, or to the establishment of protocols for a fair allocation of scarce medical resources, or to the behaviour of political leaders towards their people, or to the behaviour of richer states toward poorer states in the distribution of vaccines. Yet little effort has been made in the attempt to conceptualize these and other morally relevant questions within the conceptual framework of a distinctive field, namely that of pandemic ethics. 

Just in the same way climate ethics emerged, nearly 30 years ago, as a field of investigation, pandemic ethics is now gradually emerging as a unified whole as well. This chapter examines some important methodological challenges that both pandemic ethics and climate ethics have to address: they deal with issues related to social justice, international justice, and intergenerational justice at the same time. But while anthropogenic climate change is a one-off phenomenon in the history of humankind, pandemics have been cyclical events. The chapter shows, then, how the cyclical nature of pandemics has important implications for our understanding of pandemic ethics as a field of investigation in its own right.


Araujo, Marcelo de (2023) "The emerging field of pandemic ethics". In: Evandro Barbosa (ed.). Moral Challenges in a Pandemic Age. New York: Routledge, Chapter 16, pp. 283–307. ISBN 9781032315201. 

domingo, 14 de maio de 2023

A Survey of Pandemic Early Warnings (1999–2019) (levantamento / 2023)

Para muitas pessoas, a pandemia de COVID pode ter parecido um evento imprevisível, que pegou o mundo de surpresa. No entanto, ao longo dos 20 anos que precederam a pandemia de COVID, vários documentos já alertavam para o aumento da ocorrência de novos surtos de doenças com potencial pandêmico, bem como para a falta de políticas correspondentes para promover medidas de preparação e resposta a pandemias. Neste levantamento, esses documentos são denominados “sinais de alerta” (ou “early warnings”). 

Fizemos um levantamento de 100 “sinais de alerta”, publicados entre 1999 e 2019. Nossa hipótese é que a discussão e divulgação desses “sinais de alerta” pode contribuir para a promoção e disseminação de políticas públicas para fins de preparação e resposta a pandemias, tanto a nível internacional quanto a nível local. Nossa proposta difere de outras abordagens na medida em que ela chama atenção para a relevância da literatura publicada antes da emergência da pandemia de COVID. 

No entanto, ao contrário do que se poderia supor, os “sinais de alerta” não se tornaram obsoletos após a emergência da pandemia de COVID, pois as condições que permitiram a emergência da pandemia, descritas nos “sinais de alerta”, permanecem não apenas vigentes, mas parecem mesmo ter se agravado nos últimos anos. Embora a Organização Mundial de Saúde tenha decretado o fim da pandemia de COVID em maio de 2023, as condições para a emergência de novas pandemias não foram eliminadas. Daí a importância da disseminação pública de informações baseadas em evidências científicas acerca da alta probabilidade de emergência de novas pandemias no futuro. 

Esta pesquisa contou com recursos do CNPq e da FAPERJ, tendo sido realizada em conjunto com Daniel de Vasconcelos Costa (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). 

[ PDF ]

© Como citar este levantamento:

Araujo, Marcelo de; de Vasconcelos Costa, Daniel, "A Survey of Pandemic Early Warnings" (1999–2019) (February 13, 2023). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=4357126 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.4357126.

Disponível também no Europe PMC: https://europepmc.org/article/ppr/ppr625378

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Climate change and pandemics: feasibility constraints on mitigation and adaptation (capítulo / 2022)

The COVID pandemic required states to overcome several soft constraints that also stand in the way of effective climate action. This suggests that, contrary to a common line of thought in the climate debate, effective actions to address climate change are feasible. 

Yet two particularly robust soft constraints remain. They can be shown to be most significant for climate mitigation and less relevant for pandemic and climate adaptation policies. We call them “geopolitical constraints” and “proximity constraints”. The latter divide into spatial and temporal proximity constraints. We argue that states might, indeed, succeed in addressing geopolitical constraints on effective climate action. But temporal proximity constraint remains a robust constraint on long-term global climate policies. This partly explains why climate mitigation policies have been less than successful. 

The chapter shows that the more a policy requires strong international cooperation and strong transgenerational cooperation for the benefit of future generations, the harder it is to address the relevant constraints. We argue that overcoming temporal proximity constraints requires primarily changes in institutional design, both at domestic and international levels, rather than changes in human psychology.


© Como citar este artigo:
Araujo, M. de and Meyer, L.H. (2022) "Climate change and pandemics: Feasibility constraints on mitigation and adaptation". In E. Schulev-Steindl et al. (eds) Climate Change, Responsibility and Liability. Baden-Baden: Nomos (volume 1), pp. 41–74

Esta pesquisa conta com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken (capítulo de livro / 2022)

O surgimento do novo Coronavírus (SARS-CoV-2) em 2019 levou a uma grande crise global, pois os Estados e sociedades civis de todo o mundo tiveram que tomar medidas drásticas para conter a propagação de uma nova doença (COVID-19). Por outro lado, apesar de numerosas evidências de que mudanças climáticas não mitigadas terão consequências devastadoras para a humanidade nas próximas décadas – consequências que provavelmente serão ainda piores do que as causadas pela pandemia – governos e sociedades civis se mostraram bem menos empenhados em tomar medidas eficazes para lidar com as mudanças climáticas. 

Este ensaio examina essa questão e traça uma distinção entre "restrições rígidas" (hard constraints) e "restrições brandas" (soft constraints), que são conceitos usados ​​em algumas publicações filosóficas recentes sobre "exequibilidade política" (political feasibility em inglês). Sustentamos neste artigo que "restrições estruturais" e "restrições de proximidade temporal" devem ser incluídas no debate sobre mudanças climáticas e pandemias. Essas restrições podem muito bem representar os principais obstáculos para a implementação de políticas de mitigação e de adaptação, tanto no que se refere a pandemias como a mudanças climáticas. 

[ este livro ]
[ PDF do capítulo]

© Como citar este artigo:
Meyer, L.H.; Araujo, M. de (2022) "Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken", in L. Emerique, V. Berner, and M. Dalmau (eds) Pés no Presente e Olhos no Futuro: Reflexões sobre Direitos Humanos, Democracia e desenhos Institucionais. São Paulo: Tirant Lo Blanch, pp. 228–238.


Lukas Meyer e eu apresentamos e discutimos este artigo entre estudantes da Universidade de Graz em 2020 e 2021. O texto foi então posteriormente publicado como como capítulo de livro pela Editora da Universidade de Graz. 


© Como citar este capítulo de livro:
Meyer, Lukas, and Marcelo de Araujo. 2022. "Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken". In Wem und was gehört Europa?, ed. Lukas Meyer, Barbara Reiter, and Helmut Konrad, 159–71. Graz: Unipress Graz. ISBN 978 3 902666 85 7.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se (vídeo / 2022)

Nesta palestra eu examino algumas semelhanças e diferenças entre políticas públicas para se enfrentar pandemias e políticas públicas para se enfrentar as mudanças climáticas. 

Eu sugiro que a ética pandêmica deve emergir nos próximos anos como um campo de investigação filosófica relativamente autônomo no âmbito da ética aplicada, exatamente como ocorreu com a ética climática e a neuroética há cerca de vinte anos. Eu discuto também alguns conceitos-chave como "mitigação ante-factum" e "mitigação post-factum" e proponho ainda uma estrutura metodológica básica que pode se mostrar promissora no estabelecimento da ética pandêmica como um campo de investigação próprio no âmbito da ética aplicada. 

Agradeço a Fernando Oliveira pelo convite para a realização dessa palestra. Essa pesquisa teve início em 2020 através da iniciativa CAPES-PrInt, que permitiu ao Prof. Lukas Meyer (Universidade de Graz, Áustria) visitar o Programa de Pós-Graduação da UFRJ para realização de um curso sobre ética climática. Essa pesquisa contou também com o apoio do CNPq e da FAPERJ.

[ vídeo da palestra ]

[ Power Point ]

[ artigo completo sobre "Ética pandêmica" ]

© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se". Terceira semana acadêmica do curso de Filosofia EAD da UFPEL Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), 6 de junho de 2021. Disponível em https://youtu.be/LfBB_PnYNBU.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

The Nascent Field of Pandemic Ethics: Prevention, Mitigation, Responsibility, and Adaptation (non-peer-reviewed article / 2021)

A pandemia COVID tem levantado uma infinidade de questões éticas importantes. Algumas dizem respeito, por exemplo, ao comportamento das pessoas durante uma crise de saúde, outras dizem respeito ao comportamento dos líderes políticos, ou ao comportamento dos Estados mais ricos em relação aos Estados mais pobres na distribuição de vacinas. Outra questão importante diz respeito ao estabelecimento de prioridades durante os próximos anos, se levarmos em consideração que a recuperação desta crise se dará em meio a uma outra crise, talvez ainda mais catastrófica, que são as mudanças climáticas. 

No entanto, pouco esforço tem sido feito até agora na tentativa de se examinar todas essas questões éticas dentro da estrutura conceitual de um campo distinto de investigação filosófica, que está emergindo aos poucos, e ao qual eu me refiro neste artigo como ética pandêmica

Pandemias não são eventos isolados: elas são cíclicas. E a humanidade, em todos os níveis de agência, tem a responsabilidade moral de quebrar o ciclo das pandemias. Isso significa que muitas das mudanças sociais e avanços tecnológicos que surgem durante uma pandemia podem se tornar instrumentais para o desenvolvimento de estratégias que podem nos ajudar a prevenir futuras pandemias; e se outra pandemia surgir, temos o dever de usar as lições das pandemias passadas para enfrentar a nova pandemia. Novas instituições terão de ser criadas, como por exemplo um "Tratado Pandêmico", envolvendo todos os Estados. Mas a sociedade civil, em cada país, não pode ser excluída desse debate. 

Daí a necessidade de articularmos essa diversidade de questões morais no quadro conceitual de uma nova disciplina filosófica, que pode ser pensada como uma área própria de investigação dentro da ética aplicada

[ PDF ]

[ Europe PMC ]

[ Mendeley ]

© Como citar este artigo

Araujo, Marcelo de, "The Nascent Field of Pandemic Ethics: Prevention, Mitigation, Responsibility, and Adaptation" (December 14, 2021). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3984756 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3984756  

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

COVID Pandemic and Climate Change: An Essay on Soft Constraints and Global Risks (capítulo / 2021)

Este artigo resulta de um trabalho de cooperação com Lukas Meyer, da Universidade de Graz, Áustria. Nossa pesquisa teve como ponto de partida sua visita ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em março de 2020. A visita foi possível graças ao auxílio financeiro proporcionado pelo Programa CAPES-PrInt.

Nosso objetivo inicial era oferecer um curso sobre ética e mudanças climáticas. Mas pouco após sua chegada ao Rio de Janeiro, Lukas Meyer se viu forçado a retornar para a Áustria. Era o início da pandemia. O curso sobre ética e mudanças climáticas foi concluído via Zoom, mas percebemos também, logo no início da pandemia, que algumas questões que pretendíamos abordar em nosso curso se aplicavam também à pandemia. Como isso, demos então início a uma pesquisa sobre semelhanças e diferenças entre, de um lado, as medidas para se enfrentar as mudanças climáticas e, de outros, as medidas necessárias para se enfrentar a pandemia.

O primeiro fruto dessa pesquisa apareceu já em abril de 2020, na E-International Relations. Mas é neste capítulo da coletânea Climate Justice and Feasibility: Normative Theorizing, Feasibility Constraints, and Climate Action, organizada por Sarah Kenehan e Corey Katz, que pudemos apresentar alguns resultados mais sistemáticos de nossa investigação. 

Este capítulo tem como foco a discussão do conceito de feasibility (ou exequibilidade), que se tornou um tema bastante discutido nos últimos anos tanto na teoria política quanto no debate sobre justiça climática. Nosso objetivo consistiu em estender a discussão contemporânea sobre feasibility ao debate sobre prevenção e mitigação de pandemias.

[ Amazon ]

© Como citar este capítulo de livro:
MEYER, Lukas and ARAUJO, Marcelo de. 2021. "COVID Pandemic and climate change: An essay on soft constraints and global risks". In Climate Justice and Feasibility Moral and Practical Concerns in a Warming World. (Org.) Sarah Kenehan and Corey Katz. Lanham: Rowman & Littlefield, pp. 213-238. (ISBN 978-1-5381-5419-9).

Este capítulo de livro foi traduzido para o chinês e publicado como artigo em maio de 2023 com a seguinte referência bibliográfica:

MEYER, L.; ARAUJO, Marcelo de; YANG, Tongjin (trad.). 2023.  新冠疫情与气候变化:论软约束与 全球风险. Journal of Nanjing Forestry University(Humanities and Social Sciences Edition), v. 23, p. 28-46. DOI: 10.16397/j.cnki.1671-1165.202302028

[ PDF (chinês) ]
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Césio-137 e Coronavírus: As vozes de Goiânia para um Brasil pós-pandemia (artigo / 2021)

 

O césio-137 e o coronavírus estão no epicentro das piores crises na área de saúde pública pelas quais já passou o Brasil. O primeiro causou, em 1987, em Goiânia, o maior desastre radiológico de que se tem notícia até hoje; o segundo, em 2020, custou a vida de quase 200 mil brasileiros e brasileiras. 

Mas apesar de todas as semelhanças entre uma catástrofe e a outra, não houve muita discussão até agora sobre como a experiência adquirida na gestão da primeira crise poderia ser relevante para a elaboração de estratégias para a gestão da segunda. A comparação entre uma crise e a outra, como mostro neste artigo, já é por si só bastante significativa no que concerne à quantidade de semelhanças.

Este artigo retoma alguns resultados de um projeto de pesquisa desenvolvido em conjunto com Lukas Meyer (Universidade de Graz, Áustria) sobre pandemia e mudanças climáticas. Agradeço à CAPES, que possibilitou a vinda de Lukas Meyer ao Brasil em março de 2020 para realização de um seminário sobre justiça e mudanças climáticas na Faculdade de Direito da UFRJ. Após o início da pandemia, Lukas Meyer teve retornar para a Áustria e o seminário foi retomado na semana seguinte pelo Zoom. A partir de então, passamos a concentrar nosso trabalho conjunto no exame da relação entre a pandemia e mudanças climáticas.

[ artigo ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2021.  “Césio-137 e Coronavírus: As vozes de Goiânia para um Brasil pós-pandemia”. Estado da Arte. Estadão, 23 de janeiro de 2021. URL: https://estadodaarte.estadao.com.br/goiania-cesio-pandemia-mda/ 

sábado, 12 de setembro de 2020

“Não foi por acaso que, numa simulação realizada entre especialistas e tomadores de decisão nos Estados Unidos, em 2019, a pandemia teve início no Brasil” (entrevista / 2020)

Contribuição para a reportagem de Nelson Oliveira, da Agência de Notícias do Senado Federal. Em 28 de agosto de 2020, Oliveira publicou uma longa reportagem intitulada "Desigualdade e abusos na pandemia impulsionam cobranças por Direitos Humanos". A reportagem é seguida de uma entrevista na qual comento algumas questões sobre a violação de direitos humanos durante a pandemia.

Trechos:
"A única maneira de se prevenir novas pandemia é com mais cooperação internacional e transparência de cada país para o relatar novos eventos envolvendo “virus spillover”. Não há nenhuma razão para acharmos que a próxima pandemia não surgirá no Brasil, especialmente em função do desflorestamento e da fragmentação de florestas."

"Durante uma catástrofe, a prioridade deve ser salvar o maior número de vidas. Isso ocorre porque catástrofes geralmente limitam de modo drástico certos recursos, que se tornam escassos. Em períodos de normalidade, existem alguns critérios que podem ser observados para que os recursos sejam distribuídos de modo igualitário. Durante esses períodos, a proposta utilitarista pode não ser a mais adequada. Mas durante uma crise, quando alguns recursos se tornam drasticamente escassos, há um reconhecimento geral (que não é compartilhado por todos os filósofos ou filósofas) segundo o qual o mais importante é salvar o maior número possível de vidas, mesmo que isso possa ser visto como violação dos direitos fundamentais de algumas pessoas, se aplicados os critérios que valem em tempos normais." 

"Pense, por exemplo, num navio que sofreu uma pane nos motores. Os passageiros têm de ser transferidos para outra embarcação. Ninguém pode ser deixado para trás. Agora pense num navio que está afundando rapidamente, como o Titanic ao se chocar contra um iceberg. Idealmente, todos deveriam ser salvos, mas na impossibilidade de salvar todas as pessoas, a ideia é que a coisa certa a se fazer é salvar o maior número de vidas, mesmo sabendo que algumas pessoas serão deixadas para trás. É claro que ninguém quer estar na posição de ter de tomar essas decisões — quem viverá e quem morrerá. Mas deixar que pessoas morram em função da incapacidade de tomar decisões nessas horas não é, a meu ver, nenhuma virtude moral."

[ site ]
[ PDF

© Como citar esta entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. “Não foi por acaso que, numa simulação realizada entre especialistas e tomadores de decisão nos Estados Unidos, em 2019, a pandemia teve início no Brasil”. Research Gate, 15 de novembro de 2020, doi: 10.13140/RG.2.2.27350.06724. 

Entrevista originalmente publicada como "Desigualdade e abusos na pandemia impulsionam cobranças por Direitos Humanos". In: Senado. Agência de Notícia, 28 de agosto de 2020.

Bioética em tempos de pandemia: Testes clínicos com Cloroquina para tratamento de COVID-19 (artigo / 2020)

Este artigo foi publicado em coautoria com Darlei Dall’Agnol e Alcino Bonella. 

Trecho:

"Nossa proposta é que, excepcionalmente, durante uma pandemia, seria eticamente aceitável pular algumas das fases previstas nos protocolos internacionais para testes clínicos de novos medicamentos. Isso significa dizer que, para o benefício da pesquisa, alguns pacientes poderiam participar voluntariamente, e com o devido consentimento esclarecido, de pesquisas experimentais que seguirão um protocolo diferente das pesquisas que são geralmente feitas fora do período de pandemia."

"No entanto, o tratamento de pacientes que não fazem parte dessas pesquisas experimentais não pode ser feito antes da publicação dos resultados das pesquisas. Quaisquer que sejam as decisões tomadas, precisamos discuti-las publicamente, com transparência e boa-fé, colocando o bem-estar dos pacientes acima de qualquer outro interesse."

[ site da revista ]

[ PDF ]

© Como citar este artigo: 

Bonella, Alcino; Araujo, Marcelo de; Dall’Agnol, Darlei. 2020. "Bioética em tempos de pandemia: Testes clínicos com Cloroquina para tratamento de COVID-19". Veritas, vol. 65, n. 2, p. 1-12, mai.-ago. (https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.2.37991).

sábado, 16 de maio de 2020

Proposta para decidir acesso de pacientes a UTI durante a pandemia (artigo / 2020)

Defendemos aqui uma proposta de diretrizes especiais para a alocação de leitos de UTI a pacientes diagnosticados com COVID-19 durante a pandemia.

"
Em um cenário de extrema escassez de recursos hospitalares para um elevado volume de pacientes, quais devem ser as diretrizes para a alocação de leitos e ventiladores em UTI? Gravidade da situação do paciente? Ordem de chegada? Maiores chances de recuperação da doença? Sorteio? Profissionais da saúde na linha de frente devem ter prioridade? Como lidar com a escolha entre pacientes com a mesma situação clínica?"

"Apresentamos aqui uma perspectiva para contribuir com a deliberação eticamente bem informada em torno do problema. Ela considera documentos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), princípios e argumentos das teorias éticas comumente consideradas, propostas de diretrizes e protocolos de grupos especializados e de países afetados."

[ site do jornal ]

© Como citar este artigo: 
Azevedo, Marco; Dall’Agnol, Darlei; Bonella, Alcino; Araujo, Marcelo de. 2020. "Proposta para decidir acesso de pacientes a UTI durante a pandemia". Folha de São Paulo (Ilustríssima). 11 de maio de 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.36535.55202

Tivemos a ocasião de retornar a esse tema em algumas apresentações registradas em vídeo ou como podcast.

15/05/2020. Podcast da ANPOF. Apresentado por Marco Azevedo. Podcast Spotify (43 min). 

03/07/2020. Primeiro Ciclo de Seminário Abertos do Departamento de Teoria do Direito, Faculdade Nacional de Direito, UFRJ. Apresentado por Marcelo de Araujo e Marco Azevedo. Youtube (1h30min).

25/05/2023. O Dilema da EscassezSinagoga ARI RJ (mesa redonda). Agradeço a Marcos Gleizer (UERJ, Departamento de Filosofia) e ao Rabino Sérgio Margulies pelo convite. Youtube (1h34min–1h53min).