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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Novas Tecnologias e Dilemas Éticos: Inteligência Artificial, Genética e a Ética do Aprimoramento Humano (livro / 2022)

O desenvolvimento tecnológico recente vem ocorrendo num ritmo tão intenso, e as consequências para a sociedade são tão complexas, que é difícil avaliar todas as implicações envolvidas. Este livro examina três tecnologias que transformarão nossas vidas nos próximos anos: a inteligência artificial, a biotecnologia, e o aprimoramento humano. Muitas reportagens publicadas nos jornais agora são escritas por robôs, mas o leitor mal se dá conta disso. Sofisticados algoritmos já são utilizados para gerar textos acadêmicos, úteis para pesquisadores e estudantes, mas que permitem também novos tipos de fraude que vão muito além do plágio. CRISPR (uma ferramenta para engenharia genética) oferece a possibilidade de cura para vários tipos de doenças, mas representa também uma ameaça para a saúde das futuras gerações. Uma nova técnica de reprodução assistida, conhecida como "in vitro gametogenesis", pode permitir, nas próximas décadas, que homens produzam óvulos e mulheres produzam espermatozoides, contribuindo para uma transformação radical de ideias como maternidade, paternidade e família.

Mas como nos orientarmos nesse labirinto de novidades tecnológicas e desafios morais? Este livro explora, de modo claro e acessível, a literatura científica recente sobre esses temas. A ideia é permitir que leitores e leitoras compreendam os dilemas morais que novas tecnologias representam e tirem suas próprias conclusões sobre as questões abordadas.

[ Editora Kotter ]
[ Amazon ]

© Como citar este livro:
Araujo, Marcelo de (2022) Novas Tecnologias e Dilemas Éticos: Inteligência Artificial, Genética e a Ética do Aprimoramento Humano. Curitiba: Kotter. ISBN 978-6553611078.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Climate change and pandemics: feasibility constraints on mitigation and adaptation (capítulo / 2022)

The COVID pandemic required states to overcome several soft constraints that also stand in the way of effective climate action. This suggests that, contrary to a common line of thought in the climate debate, effective actions to address climate change are feasible. 

Yet two particularly robust soft constraints remain. They can be shown to be most significant for climate mitigation and less relevant for pandemic and climate adaptation policies. We call them “geopolitical constraints” and “proximity constraints”. The latter divide into spatial and temporal proximity constraints. We argue that states might, indeed, succeed in addressing geopolitical constraints on effective climate action. But temporal proximity constraint remains a robust constraint on long-term global climate policies. This partly explains why climate mitigation policies have been less than successful. 

The chapter shows that the more a policy requires strong international cooperation and strong transgenerational cooperation for the benefit of future generations, the harder it is to address the relevant constraints. We argue that overcoming temporal proximity constraints requires primarily changes in institutional design, both at domestic and international levels, rather than changes in human psychology.


© Como citar este artigo:
Araujo, M. de and Meyer, L.H. (2022) "Climate change and pandemics: Feasibility constraints on mitigation and adaptation". In E. Schulev-Steindl et al. (eds) Climate Change, Responsibility and Liability. Baden-Baden: Nomos (volume 1), pp. 41–74

Esta pesquisa conta com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken (capítulo de livro / 2022)

O surgimento do novo Coronavírus (SARS-CoV-2) em 2019 levou a uma grande crise global, pois os Estados e sociedades civis de todo o mundo tiveram que tomar medidas drásticas para conter a propagação de uma nova doença (COVID-19). Por outro lado, apesar de numerosas evidências de que mudanças climáticas não mitigadas terão consequências devastadoras para a humanidade nas próximas décadas – consequências que provavelmente serão ainda piores do que as causadas pela pandemia – governos e sociedades civis se mostraram bem menos empenhados em tomar medidas eficazes para lidar com as mudanças climáticas. 

Este ensaio examina essa questão e traça uma distinção entre "restrições rígidas" (hard constraints) e "restrições brandas" (soft constraints), que são conceitos usados ​​em algumas publicações filosóficas recentes sobre "exequibilidade política" (political feasibility em inglês). Sustentamos neste artigo que "restrições estruturais" e "restrições de proximidade temporal" devem ser incluídas no debate sobre mudanças climáticas e pandemias. Essas restrições podem muito bem representar os principais obstáculos para a implementação de políticas de mitigação e de adaptação, tanto no que se refere a pandemias como a mudanças climáticas. 

[ este livro ]
[ PDF do capítulo]

© Como citar este artigo:
Meyer, L.H.; Araujo, M. de (2022) "Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken", in L. Emerique, V. Berner, and M. Dalmau (eds) Pés no Presente e Olhos no Futuro: Reflexões sobre Direitos Humanos, Democracia e desenhos Institucionais. São Paulo: Tirant Lo Blanch, pp. 228–238.


Lukas Meyer e eu apresentamos e discutimos este artigo entre estudantes da Universidade de Graz em 2020 e 2021. O texto foi então posteriormente publicado como como capítulo de livro pela Editora da Universidade de Graz. 


© Como citar este capítulo de livro:
Meyer, Lukas, and Marcelo de Araujo. 2022. "Die COVID-19-Pandemie und der Klimawandel. Ein Essay über weiche Restriktionen und globale Risiken". In Wem und was gehört Europa?, ed. Lukas Meyer, Barbara Reiter, and Helmut Konrad, 159–71. Graz: Unipress Graz. ISBN 978 3 902666 85 7.

Epistemology goes AI: A study of GPT-3’s capacity to generate consistent and coherent ordered sets of propositions on a single-input-multiple-outputs basis (non-peer-reviewed article / 2022)

 The more we rely on digital assistants, online search engines, and AI systems to revise our system of beliefs and increase our body of knowledge, the less we are able to resort to some independent criterion, unrelated to further digital tools, in order to asses the epistemic quality of the outputs delivered by digital systems. This raises some important questions to epistemology in general, and pressing question to applied to epistemology in particular. 

In this paper, we propose an experimental method for the assessment of GPT-3’s capacity to generate consistent and, as the case may be, coherent sets of outputs. While much attention has been given to GPT-3’s capacity to produce internally coherent individual outputs, we argue, instead, that more attention should be given to its capacity to produce consistent and coherent outputs generated on a single-input-multiple-outputs basis.

[ PDF ]

© Como citar este artigo: 
Araujo, Marcelo de; Almeida, Guilherme F. C. F.; Nunes, José Luiz (2022) "Epistemology goes AI: A study of GPT-3’s capacity to generate consistent and coherent ordered sets of propositions on single-input-multiple-outputs basis" (August 30, 2022). SSRN: https://ssrn.com/abstract=4204178 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.4204178

Esta pesquisa conta com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

domingo, 24 de julho de 2022

Adolf Reinach e o conceito de “atos sociais”: Uma análise do §3 de "Os Fundamentos a priori do Direito Civil" (vídeo / 2022)

No século XX, a filosofia da linguagem se tornou uma importante ferramenta para a investigação de diversas questões filosóficas relevantes, inclusive a investigação acerca da natureza do direito. Nesta apresentação sobre a filosofia do direito de Adolf Reinach – morto aos 34 anos em meio à Primeira Guerra Mundial – meu objetivo foi submeter à discussão a tese inversa, a saber: a de que a filosofia do direito, ela própria, pode constituir também o ponto de partida para a discussão de importantes questões de filosofia da linguagem. 

Na obra Os Fundamentos a priori do Direito Civil, de 1913, Reinach começa com uma investigação de filosofia do direito e acaba por elucidar também, de modo bastante original, várias questões relativas ao conceito de "atos de fala", a que Reinach se refere como "atos sociais". 

A relevância da filosofia do direito de Reinach para a filosofia da linguagem permanece ainda hoje relativamente desconhecida, especialmente no Brasil, mesmo considerando que, nos últimos anos, as contribuições originais de Reinach venham atraindo cada vez mais atenção de pesquisadoras e pesquisadoras tanto no âmbito filosofia do direito como no da filosofia analítica da linguagem.


[ vídeo ]
[ esquema com roteiro da apresentação ]
[ tradução do texto "Atos Sociais" de Afolf Reinach ]

© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "Adolf Reinach e o conceito de 'atos sociais': Uma análise do §3 de Os Fundamentos a priori do Direito Civil". Workshop de Filosofia do Direito, promovida pelo Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica (PPGLM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 15 de julho de 2022. Disponível em: 
https://youtu.be/3tDboONaajA (duração do vídeo 01:50:15).

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se (vídeo / 2022)

Nesta palestra eu examino algumas semelhanças e diferenças entre políticas públicas para se enfrentar pandemias e políticas públicas para se enfrentar as mudanças climáticas. 

Eu sugiro que a ética pandêmica deve emergir nos próximos anos como um campo de investigação filosófica relativamente autônomo no âmbito da ética aplicada, exatamente como ocorreu com a ética climática e a neuroética há cerca de vinte anos. Eu discuto também alguns conceitos-chave como "mitigação ante-factum" e "mitigação post-factum" e proponho ainda uma estrutura metodológica básica que pode se mostrar promissora no estabelecimento da ética pandêmica como um campo de investigação próprio no âmbito da ética aplicada. 

Agradeço a Fernando Oliveira pelo convite para a realização dessa palestra. Essa pesquisa teve início em 2020 através da iniciativa CAPES-PrInt, que permitiu ao Prof. Lukas Meyer (Universidade de Graz, Áustria) visitar o Programa de Pós-Graduação da UFRJ para realização de um curso sobre ética climática. Essa pesquisa contou também com o apoio do CNPq e da FAPERJ.

[ vídeo da palestra ]

[ Power Point ]

[ artigo completo sobre "Ética pandêmica" ]

© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se". Terceira semana acadêmica do curso de Filosofia EAD da UFPEL Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), 6 de junho de 2021. Disponível em https://youtu.be/LfBB_PnYNBU.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Césio-137, Coronavírus, e a perspectiva das vítimas: Uma comparação sistemática entre duas crises que abalaram o sistema de saúde pública no Brasil (1987 e 2020) (capítulo de livro / 2022)

O césio-137 e o coronavírus estão no epicentro das piores crises na área de saúde pública pelas quais já passou o Brasil. O primeiro causou, em 1987, em Goiânia, o maior desastre radiológico de que se tem notícia até hoje; o segundo, só em 2020, custou a vida de quase 200 mil brasileiros e brasileiras. 

Mas a despeito de todas as semelhanças entre uma catástrofe e a outra, parece não ter havido muita discussão sobre como a experiência adquirida na gestão da primeira crise poderia ser relevante para a elaboração de estratégias eficazes para a gestão da segunda, inclusive com vistas à elaboração de medidas para prevenir futuras crises semelhantes na área da saúde. A comparação entre uma crise e a outra, como pretendo mostrar aqui, é bastante significativa no que concerne à quantidade de semelhanças relevantes.

[ PDF ]

© Como citar este capítulo de livro:
Araujo, Marcelo de (2022) "Césio-137, Coronavírus, e a perspectiva das vítimas: Uma comparação sistemática entre duas crises que abalaram o sistema de saúde pública no Brasil (1987 e 2020)". In Biodireito e Direitos Humanos. Loureiro, Claudia; Garcia, Maria (org.). Curitiba: Instituto Memória, pp. 235-258. (ISBN: 978-85-5523-455-2).

Quadro sinóptico com relações de parentesco entre as principais vítimas do acidente.

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

domingo, 13 de março de 2022

What exactly “history has taught us”? Enhancing the socio-political perspective in neuroethics (artigo / 2022)

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em coautoria com com Murilo Vilaça. Trecho do artigo:

"Nossa própria pesquisa histórica em arquivos de jornais brasileiros mostrou que houve uma ampla aceitação social de Pervitin (uma anfetamina) para fins de aprimoramento cognitivo no Brasil ao longo das décadas de 1940 e 1950. Os alunos compravam Pervitin na farmácia sem receita médica para se prepararem para a admissão na universidade, especialmente nas faculdades de direito e nas faculdades de engenharia, e depois, uma vez admitidos, para se prepararem para os exames. Não há registro histórico desse período, até onde pudemos rastrear nos arquivos dos jornais, sugerindo que a busca pelo aprimoramento cognitivo por meio do Pervitin era vista como uma forma de trapaça, como passou a ocorrer mais recentemente." 

"Ao longo da década de 1960, porém, à medida que os efeitos negativos da anfetamina na saúde mental e física se tornaram aparentes, as atitudes da sociedade em relação ao aprimoramento cognitivo mudaram drasticamente. Em 1963 Pervitin foi legalmente proibido no Brasil. Este foi o momento em que a percepção da sociedade sobre o aprimoramento cognitivo também mudou, pois a droga passou a ser cada vez mais associada, não à vida acadêmica, mas ao vício e à violação das leis."

[ PDF ]

© Como citar este artigo:
Araujo, M. de and Vilaça, M. (2022) ‘What Exactly “History Has Taught us”? Enhancing the Socio-Political Perspective in Neuroethics’, AJOB Neuroscience, 13(1), pp. 35–37. doi:10.1080/21507740.2021.2001086.