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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Os disparos de Gilberto Amado contra o poeta Annibal Teophilo em 1915 e o árduo percurso para a profissionalização do trabalho de escritor no Brasil (artigo / 2018)

Em 1915 o poeta gaúcho Annibal Theophilo foi morto a tiros pelo então deputado federal Gilberto Amado. O crime ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, ao final de um evento literário promovido pela recém-fundada Sociedade Brasileira dos Homens de Letras. O poeta Olavo Bilac era o presidente de honra da associação. O objetivo da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras era promover a profissionalização do ofício de escritor no Brasil. 

Este artigo reconstrói as circunstâncias do crime de 1915 tendo principalmente em vista os diversos relatos publicados em jornais e revistas da época. O artigo procura também mostrar que apenas em 2015, cem anos após a morte de Annibal Theophilo, os objetivos da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras foram plenamente assegurados no Brasil.

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[ site da revista ]

figura 1: Revista Careta26 de junho de 1915, p. 8 ]
figura 2: Revista Fon Fon26 de julho de 1915, p. 20 ]
figura 3: Revista Fon Fon26 de julho de 1915, p. 22 ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2018. “Os disparos de Gilberto Amado contra o poeta Annibal Teophilo em 1915 e o árduo percurso para a profissionalização do trabalho de escritor no Brasil”. In: Fênix: Revista de História e Estudos Culturais, vol. 14, n. 2, p. 1-17.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor (2015 / ficção)


No Brasil, não faltam crimes nas manchetes de jornal e noticiários da TV. Então, que importância ainda teria nos lembrarmos de um homicídio que ocorreu há 100 anos na cidade do Rio de Janeiro? “Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor” é uma narrativa de ficção sobre a morte do poeta gaúcho Annibal Theophilo, morto pelo deputado federal Gilberto Amado em 1915. O crime ocorreu em plena Avenida Rio Branco, na esquina com a Rua do Ouvidor, no centro do Rio.

Todos os diálogos deste conto foram diretamente extraídos de jornais da época, que publicavam diariamente notícias sobre o crime que abalou a cidade do Rio de Janeiro, mas que depois foi caindo em esquecimento.

Trecho: "Paulo, contudo, como se quisesse demonstrar na prática o que propusera a Gilberto em teoria, e para que não o acusassem de incoerência depois, empunhou em riste a bengala e partiu para cima do poeta. Aníbal, mais corpulento do que Paulo, surpreendeu o agressor: agarrou-o pela gola fazendo o homem sacudir dentro do fraque. Foi uma gritaria no saguão, um pandemônio de se ouvir na Rio Branco: mais insultos, ofensas, acusações que vinham de todos os flancos descobertos. Os Champs-Élysées nos trópicos mais lembravam agora as trincheiras de uma guerra em pleno curso na Europa. Mas não durou muito tempo o combate. Foram três disparos de um revólver para encerrar o conflito. Duas balas na parede. A terceira, desferida pelas costas, atingiu Aníbal na nuca. O poeta morreu na ambulância a caminho do hospital."

As razões para o esquecimento do crime dizem muito sobre a nossa incapacidade para preservar adequadamente nossa memória e escrevermos nossa história. Num texto publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional eu abordo essa questão.

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[ imagem ] Revista Fon Fon, 26 de julho de 1915, p. 22. 

© Como citar este conto:
ARAUJO, Marcelo de. 2015. "Avenida Rio Branco, esquina com Ouvidor". dEsEnrEdoS. Teresina, ano VII, n. 24, p. 1-8. ISSN 2175-3903

domingo, 28 de agosto de 2016

Crônica de uma morte esquecida (2016)

Por que revisitar um crime que aconteceu há cem anos na cidade do Rio de Janeiro, em plena Avenida Rio Branco? 

A proposta deste artigo é reconstruir as circunstâncias em torno da morte do poeta gaúcho Aníbal Teófilo, assassinado pelo deputado federal Gilberto Amado em junho 1915. 

A causa do crime foi uma disputa literária. Amado foi absolvido pelo tribunal de júri da época, mas continuou a exercer cargos públicos: ele foi senador da República, professor de direito penal da Faculdade de Direito de Recife e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Amado foi também diplomata, embaixador, e diretor da Caixa Econômica Federal. Em 1963 Amado tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras. Mas o episódio de 1915 não é mencionado em sua biografia. A morte de Aníbal Teófilo acabou caindo em esquecimento. 

A primeira versão deste artigo foi publicada sob a forma de uma narrativa ficcional na revista Desenredos em outubro de 2015.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Crônica de uma morte esquecida: Após assassinar o poeta Annibal Teophilo, o escritor e político Gilberto Amado foi absolvido e continuou em cargos públicos.” In: Revista de História. Biblioteca Nacional: Rio de Janeiro, n. 124, p. 36-39, 28 julho de 2016.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Lá estava o imperador: Dom Pedro II foi retirado de filme sobre Graham Bell e virou personagem de memória inventada por Roosevelt (2014)

Resumo: Entre a invenção do telefone e o cinema hollywoodiano, Dom Pedro II deixou de ser um personagem real para tornar-se uma referência imaginária. Ao menos no discurso de duas importantes figuras da história norte-americana. Tanto o inventor Alexander Graham Bell (1847-1922) quanto o ex-presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) declararam ter se encontrado com Dom Pedro II em momentos cruciais de suas vidas. Um deles contou a verdade, o outro provavelmente mentiu. Este artigo se vale de documentos inéditos para mostrar por que razões Hollywood deixou de fora a figura de Dom Pedro II em um filme de 1939 sobre a vida do inventor do telefone, Graham Bell. O artigo analisa também o modo como Franklin Delano Roosevelt se refere a um suposto encontro com Dom Pedro II com o objetivo de estreitar as relações diplomáticas com o Brasil no período que precedeu a Segunda Guerra Mundial.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Lá estava o imperador: D. Pedro II foi retirado de filme sobre Graham Bell e virou personagem de memória inventada por Roosevelt". In: Revista de História - Biblioteca Nacional, 2014, n. 102, p. 66-69.

sábado, 14 de setembro de 2013

Biografias não autorizadas: a quem pertence a memória nacional? (2013)

Resumo: Este artigo trata da discussão em torno da proibição à publicação de biografias não autorizadas no Brasil, seja pelo próprio biografado ou por seus herdeiros. Embora a Câmara dos Deputados tenha aprovado em abril de 2013 uma lei que passa a permitir a publicação de biografias não autorizadas, o recurso interposto posteriormente por um deputado exige que a matéria seja submetida à discussão no Plenário da Câmara. O artigo examina de que forma a proibição às biografias não autorizadas tem representado uma violação do direito à liberdade de expressão e uma ameaça à construção de uma memória nacional no Brasil.




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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Biografias não autorizadas: a quem pertence a memória nacional?". In: O Flu Revista, Niterói, n. 235, 8 de setemebro de 2013, p. 34.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Liberdade de expressão e a questão das biografias não autorizadas no Brasil: a quem pertence a memória nacional? (2013)

Resumo: O presente artigo teve por objetivo investigar a forma como a atual legislação brasileira, que trata da publicação de biografias não autorizadas, tem representado um obstáculo à produção de conhecimento historiográfico e uma ameaça à gradual constituição de uma memória nacional. O artigo procurou também comparar a situação brasileira, no que concerne à produção e publicação de biografias, com a de outros países de tradição democrática. Enquanto países como, por exemplo, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, e Austrália dispõem de programas específicos para a produção de conhecimento biográfico acerca de personagens relevantes de suas respectivas histórias, o Brasil, em função da legislação atual, não apenas não possui programas desse tipo como também desestimula a produção e publicação de pesquisa nessa área.


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© Como citar este texto:
ARAUJO, Marcelo de: "Liberdade de expressão e a questão das biografias não autorizadas no Brasil: a quem pertence a memória nacional?". In: Revista de Direito e HumanidadesSão Caetano do Sul, n. 25, 2013, p. 1-6.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dom Pedro II e a Moda Masculina na Época Vitoriana (2012)


Resumo: Dom Pedro II, como notaram vários contemporâneos do último imperador do Brasil, não era especialmente elegante. Mas ele, como nenhum outro expoente da política brasileira, soube exprimir suas convicções políticas e morais através das roupas que vestia. Casacas, sobrecasacas, cartolas e guarda-chuvas foram recorrentemente usados pelo imperador com o intuito demonstrar sua simpatia pelo regime republicano. Até mesmo a deliberada utilização de gravatas que entravam em conflito com o dress code da aristocracia europeia era um dos artifícios a que o imperador costumava recorrer com o fito de exprimir sua aversão à pompa da monarquia. Este livro procura reconstruir alguns aspectos da biografia de Dom Pedro II à luz da história da indumentária masculina no contexto do século XIX. Servindo-se de uma rica seleção de fotos e ilustrações, e recorrendo a documentos inéditos, que incluem, por exemplo, uma listagem detalhada das encomendas do imperador na mais renomada casa de alfaiataria inglesa do século XIX, o autor analisa o poder simbólico que as roupas exerciam na constituição da imagem de um dos mais singulares monarcas do período vitoriano.



Por que um livro sobre Dom Pedro II?
Na ocasião do lançamento, tive a oportunidade de falar sobre o livro e sobre as circunstâncias que me levaram a realizar uma pesquisa sobre a linguagem das roupas no contexto do século XIX: texto sobre o livro. A pesquisa lidou com questões metodológicas que envolvem o uso de fontes iconográficas e a interseção de áreas aparentemente tão heterogêneas entre si como a história da indumentária, história do Brasil pré-republicano, história da arte, e teoria política.

Resenhas:
Vanessa Barone escreveu uma resenha sobre o livro no jornal VALOR ECONÔMICO. A resenha foi publicada em maio de 2012 com o título "As roupas despojadas de um imperador". O artigo está disponível como arquivo PDF ou como texto online no site do jornal. 

  



© Como citar este livro:
ARAUJO, Marcelo de: Dom Pedro II e a Moda Masculina na Época Vitoriana. São Paulo: Estação das Letras, 2012, 144p. (ISBN: 978-85-60166-53-4).