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terça-feira, 7 de junho de 2022

O que é a ética do aprimoramento humano (vídeo / 2021)

Medicamentos e procedimentos médicos costumam ser usados para tratar doenças, mas eles podem também ser usados na busca por "aprimoramento humano" (human enhancement, em inglês), ou seja na tentativa de proporcionar às pessoas um tipo de desempenho físico ou cognitivo superior àquele considerado normal. 

Quais são então as implicações éticas e sociais da busca pelo aprimoramento físico ou cognitivo de seres humanos por meio de medicamentos e de técnicas resultantes de avanços nos âmbitos das neurociências e da biotecnologia? Essa é a questão de que me ocupo nessa apresentação. 


© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "O que é a ética do aprimoramento humano?". Bioética & Inovação. Palestra para o Programa de Mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 15 de setembro de 2021. Disponível em: https://youtu.be/nlGKwikl280.  

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

quinta-feira, 2 de junho de 2022

A ética do aprimoramento cognitivo genético: Edição genética ou seleção de embriões? (vídeo / 2020)

Nesta apresentação, eu examino algumas implicações éticas da busca por aprimoramento cognitivo por meio de duas técnicas que envolvem o uso de biotecnologias: a edição genômica e a seleção de embriões humanos. Nenhuma dessas técnicas está disponível para uso, mas a simples possibilidade de que elas possam vir a ser oferecidas ao público no futuro já vem despertando um grande debate ético.

Eu proponho que o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento cognitivo genético deve levar em consideração as atitudes do público relativamente às novas tecnologias. Eu destaco alguns resultados da pesquisa realizada pelo Projeto SIENNA acerca das atitudes que as pessoas têm em relação a novas tecnologias em 11 diferentes países: França, Alemanha, Grécia, Holanda, Polônia, Espanha, Suécia, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, e Estados Unidos.
No vídeo, eu sintetizo dados do seguinte artigo, publicado em 2020: “The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection?”. Philosophies 2020, 5(3), 20; https://doi.org/10.3390/philosophies5030020

© Como citar esta apresentação: 

Araujo, Marcelo de, "A ética do aprimoramento cognitivo genético: Edição genética ou seleção de embriões?". 5th International Bioethics Colloquium. https://youtu.be/-EX4DGVSvZ0. PUCRS, Porto Alegre, 3 a 6 de novembro de 2020. Disponível em: (duração do vídeo 48:51).

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa). 

domingo, 13 de março de 2022

What exactly “history has taught us”? Enhancing the socio-political perspective in neuroethics (artigo / 2022)

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em coautoria com com Murilo Vilaça. Trecho do artigo:

"Nossa própria pesquisa histórica em arquivos de jornais brasileiros mostrou que houve uma ampla aceitação social de Pervitin (uma anfetamina) para fins de aprimoramento cognitivo no Brasil ao longo das décadas de 1940 e 1950. Os alunos compravam Pervitin na farmácia sem receita médica para se prepararem para a admissão na universidade, especialmente nas faculdades de direito e nas faculdades de engenharia, e depois, uma vez admitidos, para se prepararem para os exames. Não há registro histórico desse período, até onde pudemos rastrear nos arquivos dos jornais, sugerindo que a busca pelo aprimoramento cognitivo por meio do Pervitin era vista como uma forma de trapaça, como passou a ocorrer mais recentemente." 

"Ao longo da década de 1960, porém, à medida que os efeitos negativos da anfetamina na saúde mental e física se tornaram aparentes, as atitudes da sociedade em relação ao aprimoramento cognitivo mudaram drasticamente. Em 1963 Pervitin foi legalmente proibido no Brasil. Este foi o momento em que a percepção da sociedade sobre o aprimoramento cognitivo também mudou, pois a droga passou a ser cada vez mais associada, não à vida acadêmica, mas ao vício e à violação das leis."

[ PDF ]

© Como citar este artigo:
Araujo, M. de and Vilaça, M. (2022) ‘What Exactly “History Has Taught us”? Enhancing the Socio-Political Perspective in Neuroethics’, AJOB Neuroscience, 13(1), pp. 35–37. doi:10.1080/21507740.2021.2001086.

sábado, 24 de outubro de 2020

Sub specie aeternitatis: Festschrift for Nythamar de Oliveira (capítulo / 2020)

Homenagem de gratidão e reconhecimento pela trajetória intelectual de Nythamar de Oliveira, professor titular da PUC / Porto Alegre, pelos seus 60 anos de vida. A maior parte desses anos foram dedicados à docência, à pesquisa e à produção filosófica. 

Esta obra reúne 39 textos, partilhados por pesquisadores e pesquisadoras de diversas regiões do Brasil e de diferentes países, conferindo um viés marcadamente plural e interdisciplinar ao volume.

Minha contribuição para este volume (capítulo 29) foi originalmente apresentada em um colóquio de pesquisa filosófica organizado por Nythamar em dezembro de 2016 na PUC / Porto Alegre. No ano seguinte o texto foi publicado na revista Ethic@. 

[ PDF ]

© Como citar este capítulo de livro: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. "A ética do aprimoramento cognitivo: efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais". In: Sub specie aeternitatis: Festschrift for Nythamar de Oliveira. Draiton Gonzaga de Souza; Agemir Bavaresco; Jair Tauchen (eds.) Porto Alegre: Fênix, pp. 539-552.

Este capítulo de livro foi originalmente publicado em Ethic@, 2017, v. 16, n. 1, p. 1-14.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection? (artigo / 2020)

Recent research with human embryos, in different parts of the world, has sparked a new debate on the ethics of genetic human enhancement. This debate, however, has mainly focused on gene-editing technologies, especially CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats). Less attention has been given to the prospect of pursuing genetic human enhancement by means of IVF (In Vitro Fertilisation) in conjunction with in vitro gametogenesis, genome-wide association studies, and embryo selection. This article examines the different ethical implications of the quest for cognitive enhancement by means of gene-editing on the one hand, and embryo selection on the other. 

The article focuses on the ethics of cognitive enhancement by means of embryo selection, as this technology is more likely to become commercially available before cognitive enhancement by means of gene-editing. This article argues that the philosophical debate on the ethics of enhancement should take into consideration public attitudes to research on human genomics and human enhancement technologies. The article discusses, then, some of the recent findings of the SIENNA Project, which in 2019 conducted a survey on public attitudes to human genomics and human enhancement technologies in 11 countries (France, Germany, Greece, the Netherlands, Poland, Spain, Sweden, Brazil, South Africa, South Korea, and United States).

[ PDF ]

© Como citar este artigo:

Araujo, Marcelo de. 2020. The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection? Philosophies, (5):20. (doi: 10.3390/philosophies5030020).

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

New Perspectives on the Ethics of Human Enhancement (Workshop)

A ética do aprimoramento humano tem sido objeto de intenso debate filosófico nos últimos anos. O objetivo deste workshop foi reunir alguns pesquisadores que recentemente apresentaram algumas contribuições influentes para o debate internacional sobre a ética do aprimoramento humano.

O evento ocorreu nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2020, no âmbito do "Master Programme Ethics – Economics, Law and Politics (EELP)", vinculado ao Departamento de Filosofia da Universidade de Bochum, Alemanha. O apoio financeiro foi concedido pelo DAAD e pelo KWI (Institute for Advanced Study in the Humanities, Essen).

Palestrantes:
  • Norbert Paulo (Universidade de Salzburg / Universidade de Graz, Áustria) 
  • Gabriel De Marco (Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, Reino Unido) 
  • Sebastian Sattler (Instituto de Sociologia e Psicologia Social, Universidade de Colônia, Alemanha) 
  • Daniele Ruggiu (Departamento de Ciência Política, Direito, e Estudos Internacionais, Universidade de Padova, Itália) 
  • Agata Ferretti (ETH, Instituto Federal Suíço de Tecnologia, Zurique, Suíça) 
  • Saskia Nagel (RWTH Universidade de Aachen / Faculdade de Artes e Humanidades / Departamento de Sociedade, Tecnologia e Fatores Humanos, Alemanha) 
  • Marcelo de Araujo (org.) (Universidade Federal do Rio de Janeiro / Universidade do Estado do Rio de Janeiro) 

[ cartaz ]
[ mais informações ]

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Relatórios do Projeto SIENNA (2020)

O objetivo do Projeto SIENNA é examinar as implicações éticas e jurídicas decorrentes de três tipos específicos de tecnologia: a Inteligência Artificial, o Aprimoramento Humano, e a Genômica Humana. Em seguida, a proposta consiste em desenvolver diretrizes éticas e jurídicas para o uso dessas tecnologias. 

O Projeto SIENNA é coordenado pelo Prof. Philip Brey (Universidade de Twente, Holanda), e envolve a participação de pesquisadores da Holanda, Estados Unidos, Reino Unido, Grécia, África do Sul, Alemanha, China, Suécia, Polônia, Espanha, França, e Brasil. A Universidade Federal do Rio de Janeiro é a única instituição da América Latina participante do projeto. No Brasil, o projeto é conduzido atualmente por Marcelo de Araujo, Fábio Shecaira, e Rachel Herdy. 

Em 2018, os participantes do projeto SIENNA elaboraram três relatórios detalhados sobre os desenvolvimentos mais recentes no âmbito da Inteligência Artificial, do Aprimoramento Humano, e da Genômica Humana. Os relatórios se chamam State-of-the-art Reviews e estão disponíveis para download no site do projeto. 

[ Aprimoramento Humano ] SIENNA D3.1 State-of-the-art review, WP3 - Human Enhancement, 2018.

[ Inteligência Artificial ] SIENNA D4.1 State-of-the-art review, WP4 - AI & Robotics, 2018.


O Projeto SIENNA é financiado pela Comissão Europeia (Programa Horizonte 2020), com um orçamento de aproximadamente 4 milhões de euros para um período de execução de três anos e meio, até 1 de abril de 2021.

Na página do SIENNA, é possível ter acesso a outras publicações produzidas pelos participantes do projeto. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Novas Tecnologias e Dilemas Morais (livro)

O desenvolvimento tecnológico recente vem ocorrendo num ritmo tão intenso, e as consequências para a sociedade são tão complexas, que é difícil avaliar todas as implicações envolvidas. 

Este livro analisa três tecnologias que transformarão nossas vidas nos próximos anos: a inteligência artificial, a biotecnologia, e o aprimoramento humano. 

Muitas reportagens publicadas nos jornais agora são escritas por robôs, mas o leitor nem se dá conta disso. Sofisticados algoritmos já são utilizados para gerar textos acadêmicos, úteis para pesquisadores e estudantes, mas que permitem também novos tipos de fraude que vão muito além do plágio. CRISPR (uma ferramenta para engenharia genética) oferece a possibilidade de cura para vários tipos de doenças, mas representa também uma ameaça para a saúde das futuras gerações. Uma nova técnica de reprodução assistida, conhecida como “in vitro gametogenesis”, pode permitir, nas próximas décadas, que homens produzam óvulos e mulheres produzam espermatozoides, contribuindo para uma transformação radical de ideias como maternidade, paternidade e família. Mas como nos orientarmos nesse labirinto de novidades tecnológicas e desafios morais? 

Este livro explora, de modo claro e acessível, a literatura científica recente sobre esses temas. A ideia é permitir que leitores e leitoras compreendam os dilemas morais que novas tecnologias representam e tirem suas próprias conclusões sobre as questões abordadas.

[ e-book ]
[ paperback (versão impressa) ]
[ resenha por Luciana Adriano ]

© Como citar este livro:
Araujo, Marcelo de. (2019). Novas tecnologias e dilemas morais. São Paulo: KDP. ISBN: 978-85-918597-1-9.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Passado e presente do debate sobre a ética do aprimoramento cognitivo no Brasil: Da "Mocidade Pervitínica" à "Geração Ritalina" (capítulo de livro / 2018)

Qual é a contribuição que filósofos brasileiros poderiam dar para a discussão de questões de política pública? Em junho de 2017 diversos pesquisadores brasileiros da área de filosofia se reuniram em Florianópolis para tratar desse tema. O evento foi promovido pelo Departamento de Filosofia da UFSC e contou também com a participação de Roger Crisp, da Universidade de Oxford. O resultado de nossos debates é esse livro, organizado por Darlei Dall'Agnol e outros colegas.

No capítulo que preparamos para essa coletânea, Patrícia Fachin e eu discutimos o debate recente sobre o uso de medicamentos para fins de aprimoramento cognitivo. Muitos jovens, que não apresentam nenhum quadro clínico que exija algum tipo de tratamento, vêm fazendo uso de remédios com o objetivo de se concentrarem melhor nos estudos ou para obter um desempenho melhor em provas e concursos.

Mas diferentemente do que se poderia talvez imaginar, essa prática não é nova no Brasil. Nas décadas de 1950 e 1960 estudantes que se preparavam para o vestibular costumavam recorrer a um estimulante conhecido na época como Pervitin para enfrentar longas horas de estudo. O objetivo deste capítulo é comparar a busca contemporânea por aprimoramento cognitivo com práticas semelhantes em nosso passado recente. 

[ PDF ] 
[ site da editora ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de; FACHIN, Patricia Ribolli. 2018. "Passado e presente do debate sobre a ética do aprimoramento cognitivo no Brasil: Da 'Mocidade pervitínica' à 'Geração Ritalina'". In: Crisp, Roger; Dall'Agnol, Darlei; Savulescu, Julian; Tonetto, Milene (org.). Ética Aplicada e Políticas Públicas. Florianópolis: Editora da UFSC, p.99-118.

quinta-feira, 8 de março de 2018

O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional (entrevista / 2018)

Em dezembro de 2017 a Prof. Maria Clara Dias e eu demos um depoimento para a revista Rio Pesquisa, da FAPERJ, para falarmos sobre nossa participação no Projeto SIENNA. 

O Projeto Sienna é financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, com um orçamento de 4 milhões de euros para um período de execução de três anos e meio, até 1 de abril de 2021. O projeto, coordenado pelo Prof. Philip Brey (Universidade de Twente, Holanda), é sustentado por um consórcio de pesquisa integrado por 11 instituições. A UFRJ é a única universidade da América Latina participante do projeto.  

O objetivo do projeto é promover um exame crítico acerca das implicações éticas e jurídicas decorrentes de três tipos específicos de tecnologia, a saber: aprimoramento humano, genômica humana, e inteligência artificial. Em seguida, o projeto pretende desenvolver diretrizes éticas e jurídicas para regular o uso dessas tecnologias.

[ PDF ]
[ Projeto Sienna ]

© Como citar o texto dessa entrevista:
MOTTA, Débora. 2017. "O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional que propõe debate sobre os impactos do uso das novas tecnologias em áreas como a de engenharia genética". In: Rio Pesquisa (FAPERJ), vol. 41, ano 11, p. 14-18.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A ética do aprimoramento cognitivo: Efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais (artigo / 2017)

O debate contemporâneo sobre a ética do aprimoramento cognitivo tem se concentrado na pergunta sobre se, e em que medida, os indivíduos deveriam ter o direito a fazer uso de novas tecnologias para aumentar suas respectivas faculdades cognitivas. 

A pergunta sobre se haveria também uma obrigação correlata de implementarmos o aprimoramento cognitivo das pessoas não tem recebido a mesma atenção. 

Neste artigo, publicado na revista Ethic@, eu examino essa questão tendo em vista, por um lado, o denominado "efeito Flynn" e, por outro lado, políticas públicas para a saúde e educação que resultam, de modo direito ou indireto, numa forma de aprimoramento cognitivo das pessoas, especialmente em crianças.

[ PDF ] 
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética do aprimoramento cognitivo: efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais". In: Ethic@, 2017, v. 16, n. 1, p. 1-14.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos (Entrevista / 2017)


Em julho de 2017 foi noticiado o primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 na edição de embriões humanos nos Estados Unidos. Três experimentos desse tipo já haviam sido realizados na China entre abril de 2015 e início de 2017. Mas o experimento nos Estados Unidos foi diferente em alguns aspectos importantes: ele utilizou embriões viáveis, não teve mutações off-target, e apresentou um baixo índice de mosaicismo. 

Tal como o primeiro experimento na China, esse novo experimentou gerou uma série de reações na imprensa mundial e na comunidade científica. 

Nesta entrevista para a a revista do Instituto Humanitas Unisinos eu discuto algumas questões éticas importantes relacionadas ao uso de CRISPR-Cas9 em células humanas.

[ PDF ]
[ no site da revista ]

© Como citar o texto dessa entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos". In: Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patricia Fachin, em 9 de agosto de 2017. DOI: 10.13140/RG.2.2.34528.58885.

Eu contribuí também para uma reportagem de Martha San Juan França sobre esse tema, publicada em 18 de agosto de 2017 no jornal Valor Econômico.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A ética da edição genômica em debate (programa de rádio / 2017)

Alcino Bonella tem um programa chamado “Quem sabe faz a hora”, na Rádio Universitária Uberlândia FM. O programa trata de questões éticas atuais. A convite do Alcino, eu falei na rádio esta semana sobre a ética da edição genômica. 

O uso de uma nova tecnologia para se "editar" o código genético de organismo vivos vem causando uma revolução na medicina, na biotecnologia, e na agropecuária. A ferramenta se chama CRISPR-Cas9. Essa nova tecnologia já foi usada, por exemplo, na produção de novas sementes de arroz e de batata, mais resistentes a pragas. CRISPR-Cas9 já foi usado também para a criação de mosquitos que não transmitem dengue e zika. Há também a expectativa de que CRISPR-Cas9 possa um dia levar à cura da AIDS e à erradicação de vários tipos de câncer e doenças hereditárias.

O problema, porém, é que que CRISPR-Cas9, em princípio, poderia ser usado também para outros fins como, por exemplo, modificar o genoma da varíola bovina com o objetivo de se recriar o agente patogênico que causa a varíola, erradicada no século XX. Ou seja: CRISPR-Cas9 poderia ser usado na produção de armas biológicas assustadoras.

Além disso, CRISPR-Cas9 poderia ser usado também, no futuro, para a modificação genética de embriões humanos que teriam características "melhoradas", ou seja embriões manipulados geneticamente com vistas à geração de crianças mais inteligentes, mais fortes, etc. Mas isso seria desejável, ou moralmente aceitável?

O debate sobre a ética da edição genômica está apenas começando.

[ áudio ]
[ PDF - transcrição ]

© Como citar este texto: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética da edição genômica em debate". In: Quem sabe faz a hora. Rádio Universitária Uberlândia FM (107,5 MHz). Apresentação de Alcino Bonella. Uberlândia, 27 de julho (Parte 1) e 3 de agosto (Parte 2). DOI: 10.13140/RG.2.2.25592.75524.

Este texto está também disponível no Research Gate.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre "aprimoramento humano" (2017 / artigo)

No debate filosófico contemporâneo, denomina-se “aprimoramento humano” a tentativa de se elevar nosso rendimento, no exercício de certas capacidades físicas ou cognitivas, a um patamar superior àquele considerado normal. O “aprimoramento humano” suscita uma série de questões éticas acerca das implicações sociais decorrentes do uso de tecnologias, não para se tratar uma doença ou restabelecer capacidades físicas perdidas em acidentes, mas para ampliar as capacidades físicas ou cognitivas de uma pessoa saudável. 

O objetivo deste artigo é mostrar que esse debate não é novo. Ele surgiu há quase cem anos, no período entreguerras, no contexto de um amplo debate sobre quais tipos de próteses permitiriam aos ex-combatentes, mutilados durante a guerra, serem reintegrados à força de trabalho de seus países de origem.

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Próteses na cultura do período entreguerras: Uma investigação sobre as origens do debate filosófico sobre aprimoramento humano". In Prometeus. 23(maio-agosto): p. 267-298. ISSN: 2176-5960 

Imanges
Para este artigo eu selecionei um total de 11 imagens, mas apenas 4 puderam ser incluídas na versão publicada. A seguir, a lista completa das imagens originalmente selecionadas. Basta clicar no link para acessar a imagem em alta resolução.


“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.2.




“Reconstruindo o soldado aleijado”. Livreto da Cruz Vermelha. Fonte: McMurtrie, 1918, p.6.



figura 3:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.289.
figura 4:
“Prótese científica” e “mão de passeio”. Fonte: Amar, 1917, p.295.
Pino de marfim atravessa canal criado na extremidade do membro amputado. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.240.
figura 6:
Modelo de prótese projetada por Sauebruch. Fonte: Sauerbruch, 1919, p.242.
figura 7:
“Cabeça mecânica − o espírito de nosso tempo” (Mechanischer Kopf − Der Geist Unserer Zeit), 1920, de Raoul Hausmann.

figura 8:
“Os jogadores de skat” (Die Skatspieler), 1920, de Otto Dix. 

figura 9:
“Monumento à prótese desconhecida” (Denkmal der unbekannten Prothesen),1930, de Heinrich Hoerle.
figura 10:
“Autômatos republicanos” (Republikanische Automaten), 1920, de George Grosz.

figura 11:
“Daum se casa com George, seu autômato pedante, em maio de 1920. John Heartfield se alegra.” (Daum heiratet ihren pedantischen Automat George in Mai 1920. John Heartfield erfreut sich), 1920, de George Grosz.


sábado, 10 de junho de 2017

Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução (artigo / 2017)

Este é o artigo introdutório de um número especial da revista Filosofia Unisinos, dedicado ao debate contemporâneo sobre "aprimoramento humano" (human enhancement). O dossiê traz a contribuição de quatro autores brasileiros para esse debate: Maria Clara Dias, Marco Azevedo, Cinara Nahra, e Marcelo de Araujo. 

Os quatro artigos que integram o dossiê foram especialmente escritos para esta edição. Faz também parte do dossiê uma sequência de comentários em que as autoras e autores dos artigos se posicionam uns relativamente às teses e teorias defendidas ou criticadas pelos demais.


[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Um dossiê sobre aprimoramento humano: Introdução". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):346-351, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos (artigo / 2017)

A suposição de que conflitos políticos decorrem do caráter egoísta da natureza humana é uma ideia bastante antiga. Essa ideia perpassa a obra de autores tão diversos como, por exemplo, Maquiavel, Thomas Hobbes, Sigmund Freud, e Hans Morgenthau. Essa tese foi também recentemente retomada no debate sobre o bioaprimoramento moral. 

Os defensores do bioaprimoramento moral sustentam duas teses: [1] A biotecnologia poderia ser utilizada para modificar a natureza humana, tornando as pessoas mais cooperativas e menos egoístas; e [2] Um incremento da disposição para a cooperação social, para a benevolência e para a empatia reduziria a ocorrência de conflitos políticos violentos na arena internacional. 

Neste artigo, eu proponho que a primeira tese pode até ser verdadeira, mas disso não se segue que conflitos políticos na arena internacional possam ser contornados por meio da biotecnologia. A tese que defendo é que o bioaprimoramento moral da humanidade não reduziria a probabilidade de que ocorram guerras nucleares, bioterrorismo, ou cyber-attacks no futuro.

[ PDF ]
[ site da revista ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Redesenhando a natureza humana: Bio-aprimoramento moral e a busca pela resolução de conflitos políticos". In: Filosofia Unisinos, vol. 17(3):374-383, sep/dec 2016. DOI: doi: 10.4013/fsu.2016.173.16.

sábado, 6 de maio de 2017

O que é a ética do aprimoramento humano? (2017 / palestra)

Este é o texto de uma palestra que fiz em maio de 2017, por ocasião da "XIII Semana de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro". Trata-se basicamente de uma introdução à discussão filosófica sobre a ética do aprimoramento humano para estudantes de graduação e pós-graduação. 

O trabalho faz uma distinção entre “método de aprimoramento” e “tipo de capacidade humana” que se visa aprimorar. Da relação entre essas duas ideias se seguem diversos problemas morais diferentes, que tornam o debate filosófico contemporâneo sobre a ética do aprimoramento humano bastante amplo e complexo. O trabalho defende a tese segundo a qual não há uma linha fixa que delimite o âmbito do tratamento do âmbito do aprimoramento. A referência ao “efeito Flynn” é explorada como um dos argumentos em favor dessa tese.

[ PDF ]
[ slides ]

© Como citar o texto desta conferência:
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "O que é a ética do aprimoramento humano". XIII Semana de Pós Graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 27 de maio de 2017, 11p. DOI:10.13140/RG.2.2.18967.57760.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os homens por trás da toga (2017 / entrevista)

Que os juízes nos tribunais tenham de justificar suas decisões, essa é uma ideia trivial. Mas o que conta, e o que não conta, como uma decisão jurídica bem fundamentada? Até que ponto as decisões jurídicas não seriam talvez influenciadas por fatores inteiramente externos ao âmbito estrito da argumentação jurídica?

Essas são algumas das questões que um grupo de pesquisadores da Filosofia do Direito, no Brasil e na Inglaterra, se propôs a examinar. O projeto de pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ. A equipe de pesquisadores é formada por Noel Struchiner, Fabio Shecaira, Veronica Rodirguez-Blanco, e Marcelo de Araujo.

Nessa reportagem para a revista Rio Pesquisa, a jornalista Aline Salgado fala sobre o nosso trabalho. Para acessar, é só seguir o link.

[ PDF ]

Como citar esta reportagem: 
SALGADO, Aline. 2017. "Os homens por trás da toga". In: Rio Pesquisa, n. 37, ano IX, p. 10-12.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years (2016)

Em novembro de 2016 ocorreu na cidade de São Carlos, em São Paulo, o encontro bianual do Brazilian Humboldt Kolleg, promovido pela Fundação Alexander von Humboldt. O tema deste ano foi "Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future". O evento reuniu pesquisadores de diversas áreas, e diferentes partes do mundo, para a discussão de suas pesquisas.

Eu falei sobre a história das próteses do período que transcorreu entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Pode não parecer, mas essa discussão é importante para compreendermos melhor o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento humano. No link, o resumo da comunicação que apresentei.

[ PDF ]
[ página do evento ]

© Como citar este abstract: 
ARAUJO, Marcelo de. "The “homo prostheticus” is back: The current debate on the ethics of human enhancement and the prosthetic limbs of the interwar years". In: Brazilian Humboldt Kolleg: Environments: technoscience and its relation to sustainability, ethics, aesthetics, health and the human future. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 3-6 de novembro, p. 71-73. 
ISBN: 978-85-7241-846-1.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs (2016)

Você não gostaria de ser mais inteligente ou mais forte? E se novas tecnologias fossem utilizadas para aumentar nossas capacidades físicas e cognitivas? Tem havido muita discussão atualmente sobre a ética do “aprimoramento humano”. Avanços tecnológicos recentes podem talvez ter desencadeado esse debate. Mas a preocupação com a ética do aprimoramento humano não é nova. 

Para avaliarmos as consequências do aprimoramento humano no futuro eu proponho que examinemos antes o debate sobre o aprimoramento humano no passado. Esse artigo mostra que a investigação histórica sobre a produção em massa de próteses durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais é imprescindível para compreendermos melhor o debate filosófico atual sobre aprimoramento humano.

[ site da revista ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "World War I to the age of the cyborg: the surprising history of prosthetic limbs. What century-old prosthetic limbs reveal about attitudes towards human enhancement today". In The Conversation, 6 de setembro de 2016.