Há um consenso crescente na comunidade científica segundo o qual a quantidade de gases do efeito estufa já emitida torna a emergência de um overshoot inevitável. Neste capítulo, denominaremos “Geração Overshoot” a geração que viverá durante esse período. Nossa hipótese é que o debate contemporâneo sobre as implicações éticas e políticas das mudanças climáticas é, em larga medida, marcado por uma concepção equivocada de “transição justa”.
Trata-se de uma concepção equivocada porque o debate contemporâneo negligencia a distinção entre a Geração Overshoot e a geração que viverá a partir do século XXII, que denominaremos aqui “Geração Pós-Overshoot”. Idealmente, o sucesso do Acordo de Paris beneficiaria a Geração Pós-Overshoot. No entanto, mesmo que as metas de longo prazo do Acordo de Paris sejam cumpridas e que, assim, a Geração Pós-Overshoot venha a ser beneficiada pelos esforços da geração atual em prol de uma “transição justa”, a Geração Overshoot terá de arcar com todas as desvantagens de viver sob o clima mais inóspito já registrado na história da civilização.
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© Como citar este capítulo:
Araujo, M. and Fior, P. (2025) "Mudanças climáticas: O que a geração atual deve à 'Geração Overshoot' por uma questão de justiça?". In: N. Oliveira and J. Tauchen (eds) Artificial Intelligence and Sustainability: Bioethics, Neuroethics, and AI Ethics. 1st edn. Editora Fundação Fênix, pp. 193–209. Available at: https://doi.org/10.36592/9786554602730-10.







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