domingo, 24 de julho de 2022

Adolf Reinach e o conceito de “atos sociais”: Uma análise do §3 de "Os Fundamentos a priori do Direito Civil" (vídeo / 2022)

No século XX, a filosofia da linguagem se tornou uma importante ferramenta para a investigação de diversas questões filosóficas relevantes, inclusive a investigação acerca da natureza do direito. Nesta apresentação sobre a filosofia do direito de Adolf Reinach – morto aos 34 anos em meio à Primeira Guerra Mundial – meu objetivo foi submeter à discussão a tese inversa, a saber: a de que a filosofia do direito, ela própria, pode constituir também o ponto de partida para a discussão de importantes questões de filosofia da linguagem. 

Na obra Os Fundamentos a priori do Direito Civil, de 1913, Reinach começa com uma investigação de filosofia do direito e acaba por elucidar também, de modo bastante original, várias questões relativas ao conceito de "atos de fala", a que Reinach se refere como "atos sociais". 

A relevância da filosofia do direito de Reinach para a filosofia da linguagem permanece ainda hoje relativamente desconhecida, especialmente no Brasil, mesmo considerando que, nos últimos anos, as contribuições originais de Reinach venham atraindo cada vez mais atenção de pesquisadoras e pesquisadoras tanto no âmbito filosofia do direito como no da filosofia analítica da linguagem.


[ vídeo ]
[ esquema com roteiro da apresentação ]

© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "Adolf Reinach e o conceito de 'atos sociais': Uma análise do §3 de Os Fundamentos a priori do Direito Civil". Workshop de Filosofia do Direito, promovida pelo Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica (PPGLM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 15 de julho de 2022. Disponível em: 
https://youtu.be/3tDboONaajA (duração do vídeo 01:50:15).

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se (vídeo / 2022)

Nesta palestra eu examino algumas semelhanças e diferenças entre políticas públicas para se enfrentar pandemias e políticas públicas para se enfrentar as mudanças climáticas. 

Eu sugiro que a ética pandêmica deve emergir nos próximos anos como um campo de investigação filosófica relativamente autônomo no âmbito da ética aplicada, exatamente como ocorreu com a ética climática e a neuroética há cerca de vinte anos. Eu discuto também alguns conceitos-chave como "mitigação ante-factum" e "mitigação post-factum" e proponho ainda uma estrutura metodológica básica que pode se mostrar promissora no estabelecimento da ética pandêmica como um campo de investigação próprio no âmbito da ética aplicada. 

Agradeço a Fernando Oliveira pelo convite para a realização dessa palestra. Essa pesquisa teve início em 2020 através da iniciativa CAPES-PrInt, que permitiu ao Prof. Lukas Meyer (Universidade de Graz, Áustria) visitar o Programa de Pós-Graduação da UFRJ para realização de um curso sobre ética climática. Essa pesquisa contou também com o apoio do CNPq e da FAPERJ.

[ vídeo da palestra ]

[ Power Point ]

[ artigo completo sobre "Ética pandêmica" ]

© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "Ética pandêmica e reponsabilidade coletiva: impedir, mitigar, e adaptar-se". Terceira semana acadêmica do curso de Filosofia EAD da UFPEL Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), 6 de junho de 2021. Disponível em https://youtu.be/LfBB_PnYNBU.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Césio-137, Coronavírus, e a perspectiva das vítimas: Uma comparação sistemática entre duas crises que abalaram o sistema de saúde pública no Brasil (1987 e 2020) (capítulo de livro / 2022)

O césio-137 e o coronavírus estão no epicentro das piores crises na área de saúde pública pelas quais já passou o Brasil. O primeiro causou, em 1987, em Goiânia, o maior desastre radiológico de que se tem notícia até hoje; o segundo, só em 2020, custou a vida de quase 200 mil brasileiros e brasileiras. 

Mas a despeito de todas as semelhanças entre uma catástrofe e a outra, parece não ter havido muita discussão sobre como a experiência adquirida na gestão da primeira crise poderia ser relevante para a elaboração de estratégias eficazes para a gestão da segunda, inclusive com vistas à elaboração de medidas para prevenir futuras crises semelhantes na área da saúde. A comparação entre uma crise e a outra, como pretendo mostrar aqui, é bastante significativa no que concerne à quantidade de semelhanças relevantes.

[ PDF ]

© Como citar este capítulo de livro:
Araujo, Marcelo de (2022) "Césio-137, Coronavírus, e a perspectiva das vítimas: Uma comparação sistemática entre duas crises que abalaram o sistema de saúde pública no Brasil (1987 e 2020)". In Biodireito e Direitos Humanos. Loureiro, Claudia; Garcia, Maria (org.). Curitiba: Instituto Memória, pp. 235-258. (ISBN: 978-85-5523-455-2).

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

O que é a ética do aprimoramento humano (vídeo / 2021)

Medicamentos e procedimentos médicos costumam ser usados para tratar doenças, mas eles podem também ser usados na busca por "aprimoramento humano" (human enhancement, em inglês), ou seja na tentativa de proporcionar às pessoas um tipo de desempenho físico ou cognitivo superior àquele considerado normal. 

Quais são então as implicações éticas e sociais da busca pelo aprimoramento físico ou cognitivo de seres humanos por meio de medicamentos e de técnicas resultantes de avanços nos âmbitos das neurociências e da biotecnologia? Essa é a questão de que me ocupo nessa apresentação. 


© Como citar esta apresentação:
Araujo, Marcelo de, "O que é a ética do aprimoramento humano?". Bioética & Inovação. Palestra para o Programa de Mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 15 de setembro de 2021. Disponível em: https://youtu.be/nlGKwikl280.  

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa).

quinta-feira, 2 de junho de 2022

A ética do aprimoramento cognitivo genético: Edição genética ou seleção de embriões? (vídeo / 2020)

Nesta apresentação, eu examino algumas implicações éticas da busca por aprimoramento cognitivo por meio de duas técnicas que envolvem o uso de biotecnologias: a edição genômica e a seleção de embriões humanos. Nenhuma dessas técnicas está disponível para uso, mas a simples possibilidade de que elas possam vir a ser oferecidas ao público no futuro já vem despertando um grande debate ético.

Eu proponho que o debate filosófico contemporâneo sobre o aprimoramento cognitivo genético deve levar em consideração as atitudes do público relativamente às novas tecnologias. Eu destaco alguns resultados da pesquisa realizada pelo Projeto SIENNA acerca das atitudes que as pessoas têm em relação a novas tecnologias em 11 diferentes países: França, Alemanha, Grécia, Holanda, Polônia, Espanha, Suécia, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, e Estados Unidos.
No vídeo, eu sintetizo dados do seguinte artigo, publicado em 2020: “The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection?”. Philosophies 2020, 5(3), 20; https://doi.org/10.3390/philosophies5030020

© Como citar esta apresentação: 

Araujo, Marcelo de, "A ética do aprimoramento cognitivo genético: Edição genética ou seleção de embriões?". 5th International Bioethics Colloquium. https://youtu.be/-EX4DGVSvZ0. PUCRS, Porto Alegre, 3 a 6 de novembro de 2020. Disponível em: (duração do vídeo 48:51).

Esta pesquisa contou com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa). 

sábado, 14 de maio de 2022

Implicações Éticas da Autoria e Coautoria de Trabalhos Acadêmicos com Sistemas de IA (Inteligência Artificial) (vídeo, 2021)

 

Apesar de já haver muita discussão em torno das implicações éticas e jurídicas resultantes do uso de IA (inteligência artificial) em diversos segmentos da vida em sociedade, ainda há pouca discussão sobre a ética do uso de IA para a produção de trabalhos acadêmicos. 

Os textos gerados por AI não pode ser vistos como plágio porque os textos não são copiados de material já disponível online. Eles resultam da aplicação de modelos estatísticos que fazem previsões sobre qual deve ser a sequência de palavras mais provável para um determinado input, que pode ser tanto uma pergunta como uma afirmação ou comentário. 

Essa palestra resulta de minha pesquisa nesta área ainda pouco explorada em torno do debate sobre o uso ético de sistemas de AI. A palestra foi proferida por ocasião do "XXIX Congresso de Iniciação Científica da Unicamp" em 11 de novembro de 2021.

[ Palestra no Youtube ]

[ Power Point ]

© Como citar esta apresentação: 

Araujo, Marcelo de, "Implicações Éticas da Autoria e Coautoria de Trabalhos Acadêmicos com Sistemas de IA (Inteligência Artificial)". XXIX Congresso de Iniciação Científica da Unicamp. Palestra registrada em vídeo seguida de debate com Leonardo Tomazeli Duarte (Unicamp). 11 de novembro de 2021. Disponível em: https://youtu.be/37ZGz0qUiFA (duração do vídeo 1:10:35).

Esta pesquisa conta com o apoio financeiro da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa). 

domingo, 13 de março de 2022

What exactly “history has taught us”? Enhancing the socio-political perspective in neuroethics (artigo / 2022)

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em coautoria com com Murilo Vilaça. Trecho do artigo:

"Nossa própria pesquisa histórica em arquivos de jornais brasileiros mostrou que houve uma ampla aceitação social de Pervitin (uma anfetamina) para fins de aprimoramento cognitivo no Brasil ao longo das décadas de 1940 e 1950. Os alunos compravam Pervitin na farmácia sem receita médica para se prepararem para a admissão na universidade, especialmente nas faculdades de direito e nas faculdades de engenharia, e depois, uma vez admitidos, para se prepararem para os exames. Não há registro histórico desse período, até onde pudemos rastrear nos arquivos dos jornais, sugerindo que a busca pelo aprimoramento cognitivo por meio do Pervitin era vista como uma forma de trapaça, como passou a ocorrer mais recentemente." 

"Ao longo da década de 1960, porém, à medida que os efeitos negativos da anfetamina na saúde mental e física se tornaram aparentes, as atitudes da sociedade em relação ao aprimoramento cognitivo mudaram drasticamente. Em 1963 Pervitin foi legalmente proibido no Brasil. Este foi o momento em que a percepção da sociedade sobre o aprimoramento cognitivo também mudou, pois a droga passou a ser cada vez mais associada, não à vida acadêmica, mas ao vício e à violação das leis."


© Como citar este artigo:
Araujo, M. de and Vilaça, M. (2022) ‘What Exactly “History Has Taught us”? Enhancing the Socio-Political Perspective in Neuroethics’, AJOB Neuroscience, 13(1), pp. 35–37. doi:10.1080/21507740.2021.2001086.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

The Nascent Field of Pandemic Ethics: Prevention, Mitigation, Responsibility, and Adaptation (non-peer-reviewed article / 2021)

A pandemia COVID tem levantado uma infinidade de questões éticas importantes. Algumas dizem respeito, por exemplo, ao comportamento das pessoas durante uma crise de saúde, outras dizem respeito ao comportamento dos líderes políticos, ou ao comportamento dos Estados mais ricos em relação aos Estados mais pobres na distribuição de vacinas. Outra questão importante diz respeito ao estabelecimento de prioridades durante os próximos anos, se levarmos em consideração que a recuperação desta crise se dará em meio a uma outra crise, talvez ainda mais catastrófica, que são as mudanças climáticas. 

No entanto, pouco esforço tem sido feito até agora na tentativa de se examinar todas essas questões éticas dentro da estrutura conceitual de um campo distinto de investigação filosófica, que está emergindo aos poucos, e ao qual eu me refiro neste artigo como ética pandêmica

Pandemias não são eventos isolados: elas são cíclicas. E a humanidade, em todos os níveis de agência, tem a responsabilidade moral de quebrar o ciclo das pandemias. Isso significa que muitas das mudanças sociais e avanços tecnológicos que surgem durante uma pandemia podem se tornar instrumentais para o desenvolvimento de estratégias que podem nos ajudar a prevenir futuras pandemias; e se outra pandemia surgir, temos o dever de usar as lições das pandemias passadas para enfrentar a nova pandemia. Novas instituições terão de ser criadas, como por exemplo um "Tratado Pandêmico", envolvendo todos os Estados. Mas a sociedade civil, em cada país, não pode ser excluída desse debate. 

Daí a necessidade de articularmos essa diversidade de questões morais no quadro conceitual de uma nova disciplina filosófica, que pode ser pensada como uma área própria de investigação dentro da ética aplicada

[ PDF ]

© Como citar este artigo

Araujo, Marcelo de, "The Nascent Field of Pandemic Ethics: Prevention, Mitigation, Responsibility", and Adaptation (December 14, 2021). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3984756 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3984756

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

COVID Pandemic and Climate Change: An Essay on Soft Constraints and Global Risks (capítulo / 2021)

Este artigo resulta de um trabalho de cooperação com Lukas Meyer, da Universidade de Graz, Áustria. Nossa pesquisa teve como ponto de partida sua visita ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em março de 2020. A visita foi possível graças ao auxílio financeiro proporcionado pelo Programa CAPES-PrInt.

Nosso objetivo inicial era oferecer um curso sobre ética e mudanças climáticas. Mas pouco após sua chegada ao Rio de Janeiro, Lukas Meyer se viu forçado a retornar para a Áustria. Era o início da pandemia. O curso sobre ética e mudanças climáticas foi concluído via Zoom, mas percebemos também, logo no início da pandemia, que algumas questões que pretendíamos abordar em nosso curso se aplicavam também à pandemia. Como isso, demos então início a uma pesquisa sobre semelhanças e diferenças entre, de um lado, as medidas para se enfrentar as mudanças climáticas e, de outros, as medidas necessárias para se enfrentar a pandemia.

O primeiro fruto dessa pesquisa apareceu já em abril de 2020, na E-International Relations. Mas é neste capítulo da coletânea Climate Justice and Feasibility: Normative Theorizing, Feasibility Constraints, and Climate Action, organizada por Sarah Kenehan e Corey Katz, que pudemos apresentar alguns resultados mais sistemáticos de nossa investigação. 

Este capítulo tem como foco a discussão do conceito de feasibility (ou exequibilidade), que se tornou um tema bastante discutido nos últimos anos tanto na teoria política quanto no debate sobre justiça climática. Nosso objetivo consistiu em estender a discussão contemporânea sobre feasibility ao debate sobre prevenção e mitigação de pandemias.

[ Amazon ]

© Como citar este capítulo de livro:
MEYER, Lukas and ARAUJO, Marcelo de. 2021. "COVID Pandemic and climate change: An essay on soft constraints and global risks". In Climate Justice and Feasibility Moral and Practical Concerns in a Warming World. (Org.) Sarah Kenehan and Corey Katz. Lanham: Rowman & Littlefield, pp. 213-238. (ISBN 978-1-5381-5419-9).

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Machines as Writers? Algorithms in the production of literature (palestra / 2020)

Sistemas de inteligência artificial para a produção de textos, como por exemplo GPT-3, vêm se tornando cada vez mais sofisticados. Mas será que em algum momento eles poderão se passar por escritores e pesquisadores profissionais? 

Em 2020, eu discuti essa questão em duas palestras na Universidade de Graz, Áustria. A primeira palestra, sobre textos acadêmicos gerados por AI, ocorreu num mundo pré-pandemia, em janeiro de 2020, em Graz. A segunda palestra, sobre o uso de AI para a produção e análise de textos literários, ocorreu online, em dezembro de 2020.  Eu reuni aqui os slides das duas apresentações num único arquivo PPT. A primeira parte (slides 2-32) é sobre AI e textos acadêmicos, a segunda parte (slides 33-71) é sobre AI e literatura. 

Agradeço aos colegas da Universidade de Graz, Lukas Meyer, Barbara Reiter, e Anne-Kathrin Reulecke, pelo convite para as palestras e pelo excelente debate que ocorreu em seguida.

Em setembro de 2019 eu apresentei um trabalho sobre o mesmo tema no evento "Workshop Artificial Intelligence and Ethical Issues", na Universidade de Konstanz. Agradeço a Federica Basaglia pelo convite. 

[ PPT ]
[ sobre o evento ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2021. "Machines as Writers? Algorithms in the production of literature". Slides para apresentação na Universidade de Graz, 22 de janeiro de 2020 (Parte 1) e 9 de dezembro de 2020 (Parte 2). DOI 10.13140/RG.2.2.18050.09922.  

O tema das palestras foi também abordados em meu livro Novas Tecnologias e Dilemas Morais (2019). 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Césio-137 e Coronavírus: As vozes de Goiânia para um Brasil pós-pandemia (artigo / 2021)

 

O césio-137 e o coronavírus estão no epicentro das piores crises na área de saúde pública pelas quais já passou o Brasil. O primeiro causou, em 1987, em Goiânia, o maior desastre radiológico de que se tem notícia até hoje; o segundo, em 2020, custou a vida de quase 200 mil brasileiros e brasileiras. 

Mas apesar de todas as semelhanças entre uma catástrofe e a outra, não houve muita discussão até agora sobre como a experiência adquirida na gestão da primeira crise poderia ser relevante para a elaboração de estratégias para a gestão da segunda. A comparação entre uma crise e a outra, como mostro neste artigo, já é por si só bastante significativa no que concerne à quantidade de semelhanças.

Este artigo retoma alguns resultados de um projeto de pesquisa desenvolvido em conjunto com Lukas Meyer (Universidade de Graz, Áustria) sobre pandemia e mudanças climáticas. Agradeço à CAPES, que possibilitou a vinda de Lukas Meyer ao Brasil em março de 2020 para realização de um seminário sobre justiça e mudanças climáticas na Faculdade de Direito da UFRJ. Após o início da pandemia, Lukas Meyer teve retornar para a Áustria e o seminário foi retomado na semana seguinte pelo Zoom. A partir de então, passamos a concentrar nosso trabalho conjunto no exame da relação entre a pandemia e mudanças climáticas.

[ artigo ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2021.  “Césio-137 e Coronavírus: As vozes de Goiânia para um Brasil pós-pandemia”. Estado da Arte. Estadão, 23 de janeiro de 2021. URL: https://estadodaarte.estadao.com.br/goiania-cesio-pandemia-mda/ 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Human rights and assisted reproductive technologies (ART): A contractarian approach (artigo / 2020)

What are human rights? Do they exist? I propose to answer these questions by advancing a contractarian account of human rights. I focus on the human right to found a family and have children. I also show how the contractarian approach to human rights can explain the current relevance of reproductive rights in the human rights discourse, and how the emergence of ART (Assisted Reproductive Technologies) has contributed to this shift. The contractarian account of human rights asks, firstly, the following question: which basic needs and desires can be ascribed to any human being regardless of gender, nationality, sexual orientation, age, ethnicity etc.? 

Having an interest, for instance, in preserving one’s own bodily integrity, freedom, and private property qualifies as a basic human need or basic desire. But a basic human need or desire does not constitute in itself a human right. Secondly, the contractarian account of human rights asks, then, which basic human needs or basic desires individuals and states representatives would consider so important that they would agree to create institutional frameworks, both at the domestic and international level, in such a way as to enable individuals to pursue the fulfilment of their basic needs or desires without state interference. Human rights exist and can only be claimed in the context of these normative frameworks.

[ PDF

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. “Human rights and assisted reproductive technologies (ART): A contractarian approach. Canadian Journal of Bioethics,  vol. 3, N. 3, p. 192-201. DOI:https://doi.org/10.7202/1073798ar.

domingo, 24 de janeiro de 2021

“They declared war and made their decision to prefer might to right”: Thucydides on the use of force among states (artigo / 2020)

Neste artigo, examino algumas passagens de Guerra do Peloponeso nas quais Tucídides discute as causas da guerra e os limites da ideia de justiça. Eu me concentro mais especificamente na contribuição de Tucídides para o "realismo" em relações internacionais. 

Este artigo foi originalmente concebido como uma palestra para estudantes do primeiro semestre do curso de Filosofia Política no Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em março de 2020. Mas por conta da pandemia a palestra não chegou a ser realizada. Ainda assim, a pandemia me serve como pando de fundo para a conclusão do artigo e para sublinhar a relevância do pensamento político de Tucídides nos dias atuais.

No século XXI, a filosofia política não podem negligenciar o exame de questões normativas relativas à relações internacionais. Esta é a primeira vez, na história da humanidade, que os seres humanos podem ter que enfrentar a sua a própria aniquilação enquanto espécie. Questões relativas a guerras nucleares, mudanças climáticas e pandemias – para mencionar apenas alguns "riscos globais" bem conhecidos – exigem soluções globais e forte cooperação internacional. Tucídides pode muito bem ter sido o primeiro autor a chamar a atenção para a força duradoura do realismo em relações internacionais. Mas ele pode muito bem ter sido também o primeiro autor a testemunhar as deficiências do realismo no exame de questões de política internacional.

[ PDF ]
 
© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. “They declared war and made their decision to prefer might to right”: Thucydides on the use of force among states. Revista Estudos Políticos, vol. 11, no. 21, pp. 71-81, doi: 10.22409/rep.v11i21.46519

sábado, 24 de outubro de 2020

Sub specie aeternitatis: Festschrift for Nythamar de Oliveira (capítulo / 2020)

Homenagem de gratidão e reconhecimento pela trajetória intelectual de Nythamar de Oliveira, professor titular da PUC / Porto Alegre, pelos seus 60 anos de vida. A maior parte desses anos foram dedicados à docência, à pesquisa e à produção filosófica. 

Esta obra reúne 39 textos, partilhados por pesquisadores e pesquisadoras de diversas regiões do Brasil e de diferentes países, conferindo um viés marcadamente plural e interdisciplinar ao volume.

Minha contribuição para este volume (capítulo 29) foi originalmente apresentada em um colóquio de pesquisa filosófica organizado por Nythamar em dezembro de 2016 na PUC / Porto Alegre. No ano seguinte o texto foi publicado na revista Ethic@

[ PDF ]

© Como citar este capítulo de livro: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. "A ética do aprimoramento cognitivo: efeito Flynn e a falácia dos talentos naturais". In: Sub specie aeternitatis: Festschrift for Nythamar de Oliveira. Draiton Gonzaga de Souza; Agemir Bavaresco; Jair Tauchen (eds.) Porto Alegre: Fênix, pp. 539-552.

Este capítulo de livro foi originalmente publicado em Ethic@, 2017, v. 16, n. 1, p. 1-14.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection? (artigo / 2020)

Recent research with human embryos, in different parts of the world, has sparked a new debate on the ethics of genetic human enhancement. This debate, however, has mainly focused on gene-editing technologies, especially CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats). Less attention has been given to the prospect of pursuing genetic human enhancement by means of IVF (In Vitro Fertilisation) in conjunction with in vitro gametogenesis, genome-wide association studies, and embryo selection. This article examines the different ethical implications of the quest for cognitive enhancement by means of gene-editing on the one hand, and embryo selection on the other. 

The article focuses on the ethics of cognitive enhancement by means of embryo selection, as this technology is more likely to become commercially available before cognitive enhancement by means of gene-editing. This article argues that the philosophical debate on the ethics of enhancement should take into consideration public attitudes to research on human genomics and human enhancement technologies. The article discusses, then, some of the recent findings of the SIENNA Project, which in 2019 conducted a survey on public attitudes to human genomics and human enhancement technologies in 11 countries (France, Germany, Greece, the Netherlands, Poland, Spain, Sweden, Brazil, South Africa, South Korea, and United States).

[ PDF ]

© Como citar este artigo:

Araujo, Marcelo de. 2020. The ethics of genetic cognitive enhancement: Gene editing or embryo selection? Philosophies, (5):20. (doi: 10.3390/philosophies5030020).