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domingo, 24 de janeiro de 2021

“They declared war and made their decision to prefer might to right”: Thucydides on the use of force among states (artigo / 2020)

Neste artigo, examino algumas passagens de Guerra do Peloponeso nas quais Tucídides discute as causas da guerra e os limites da ideia de justiça. Eu me concentro mais especificamente na contribuição de Tucídides para o "realismo" em relações internacionais. 

Este artigo foi originalmente concebido como uma palestra para estudantes do primeiro semestre do curso de Filosofia Política no Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em março de 2020. Mas por conta da pandemia a palestra não chegou a ser realizada. Ainda assim, a pandemia me serve como pando de fundo para a conclusão do artigo e para sublinhar a relevância do pensamento político de Tucídides nos dias atuais.

No século XXI, a filosofia política não podem negligenciar o exame de questões normativas relativas à relações internacionais. Esta é a primeira vez, na história da humanidade, que os seres humanos podem ter que enfrentar a sua a própria aniquilação enquanto espécie. Questões relativas a guerras nucleares, mudanças climáticas e pandemias – para mencionar apenas alguns "riscos globais" bem conhecidos – exigem soluções globais e forte cooperação internacional. Tucídides pode muito bem ter sido o primeiro autor a chamar a atenção para a força duradoura do realismo em relações internacionais. Mas ele pode muito bem ter sido também o primeiro autor a testemunhar as deficiências do realismo no exame de questões de política internacional.

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© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2020. “They declared war and made their decision to prefer might to right”: Thucydides on the use of force among states. Revista Estudos Políticos, vol. 11, no. 21, pp. 71-81, doi: 10.22409/rep.v11i21.46519

domingo, 4 de dezembro de 2011

Multilateralismo e Governança: A Institucionalização Difusa dos Direitos Humanos no Contexto da Política Internacional (2007)

Resumo: Na primeira parte deste artigo mostro por que razões o discurso sobre os direitos humanos, na segunda metade do século 20, foi inicialmente visto com grande ceticismo em sua capacidade compelir os Estados a um algum tipo de conduta moral no âmbito das relações internacionais. Em seguida, na segunda parte, examino as razões pelas quais, com final da Guerra Fria, esse mesmo tipo de ceticismo começou a recrudescer. A tese que defendo é a de que a interconexão crescente entre os vários atores das relações internacionais – incluindo atores não-estatais – tem contribuído para o surgimento um sistema de normas descentralizadas no contexto do qual o discurso sobre o conceito de direitos humanos pode ser justificado sem nos comprometermos com idéias metafísicas tais como leis e direitos naturais.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Multilateralismo e Governança: A Institucionalização Difusa dos Direitos Direitos Humanos no Contexto da Política Internacional". In: Ethic@ (UFSC), v. 6, 2007, p. 109-131.

Justiça internacional e o conceito de soberania (2004)

ResumoAo longo da história do pensamento político, questões relativas à constituição de uma sociedade justa foram frequentemente examinadas assumindo-se de antemão que os limites da sociedade em questão são os limites do Estado em que esta sociedade vive. À ideia de justiça no âmbito de uma sociedade de Estado, para toda uma tradição em filosofia política, foi atribuída bem menos relevância do que à ideia de justiça nos limites internos dos Estados nacionais. No entanto, as últimas décadas têm testemunhado um interesse crescente pelo problema da implementação de concepções de justiça, não nos limites de Estado nacionais, mas no âmbito bem mais amplo da "sociedade internacional". 

Minha intenção é, em primeiro lugar, expor as razões pelas quais, classicamente, o problema relativo à implementação de concepções de justiça foi estudado como um problema que diria respeito à configuração interna dos Estados. Em seguida, pretendo examinar a possibilidade de estabelecermos princípios de justiça passíveis de serem aplicados no âmbito das relações internacionais a partir de alguns aspectos da teoria moral contratualista.

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© Como citar este texto:
ARAUJO, Marcelo de: "Justiça internacional e o conceito de soberania". In:Atas do XI Encontro Nacional de Filosofia - ANPOF, Salvador, 2004, p. 289.