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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Moral enhancement and political realism (2014)

Em agosto de 2014 apresentei em Delft, na Holanda, um trabalho originalmente publicado no Journal of Evolution and Technology. Delft é a cidade em que nasceu Hugo Grotius, às vezes conhecido como "pai" das relações internacionais. A cidade portanto era inspiradora para a discussão de um trabalho sobre as implicações do "aprimoramento moral" no cenário da política internacional.

A pergunta que me interessou discutir nesse trabalho é bastante especulativa: vamos supor que fosse possível tornar as pessoas mais cooperativas, solidárias, e benevolentes por meio de algum tipo de droga. Isso seria um tipo de "aprimoramento moral", ou moral enhancement. (Já existe muita discussão filosófica e científica sobre esse tema). O mundo se tornaria mais pacífico, e menos susceptível a guerras e conflitos internacionais, em consequência do uso massivo desse tipo de droga?  No paper que apresentei tento mostrar que o "aprimoramento moral" não alteraria profundamente a estrutura das relações internacionais. 

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© Como citar este resumo:
ARAUJO, Marcelo de. (2014).  "Moral enhancement and political realism". In: Cognitive Enhancement Conference: Moral, Legal and Scientific Challenges. TU Delft (Delft University of Technology) The Netherlands, 12-15 August, p. 10-11.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Was Descartes a Cartesian? Descartes, Quine and “Epistemology Naturalized” (2014)

Abstract: In this paper I intend to argue for an interpretation of Descartes’ theory of knowledge that may be called “Descartes’ naturalized epistemology”. Against Willard Quine, and the tradition of interpretation that followed the publication of Quine’s “Epistemology naturalized” in 1969, I intend to show that Descartes himself thought of his investigation into the nature of human knowledge as an intellectual project coherent with the method of the sciences of his own time. In many respects, as I intend to show, Descartes was neither “Cartesian” nor a strict “rationalist” as Quine’s characterization of Cartesian epistemology suggests.

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© Como citar este artigo: 

ARAUJO, Marcelo de: "Was Descartes a Cartesian? Descartes, Quine and 'Epistemology Naturalized'". In: Revista Estudos Hum(e)anos. 2013, n. 7, vol. 2, p. 3-14.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Berkeley’s Paradox: External World Skepticism and the Problem of Epistemic Justification (2014)

Resumo: Como posso estar certo de que existe qualquer coisa externa aos meus próprios pensamentos? Alguns filósofos como Descartes e Kant tentaram provar que o mundo existe, ou seja dar uma "prova do mundo externo". Outros filósofos, como por exemplo Heidegger and Wittgenstein, procuraram rejeitar a própria ideia de que uma "prova" do mundo externo faça sentido. 

O objetivo desse artigo é mostrar que o denominado “problema do mundo externo” decorre de uma má compreensão acerca do que seja uma justificativa epistêmica. Eu apresento o que denomino “paradoxo de Berkeley” de modo a mostrar que o uso ordinário da linguagem não deve funcionar como critério de correção para a aplicação de conceitos como "conhecimento" e "existência". Concluo que tanto as tentativas tradicionais de se apresentar uma prova da existência do mundo externo quanto as tentativas de se mostrar que o problema não faz sentido são equivocadas. O que deve ser levado em conta no exame do problema do mundo externo é o contexto em que a proposta cética é feita.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Berkeley’s Paradox: External World Skepticism and the Problem of Epistemic Justification ". In: Dissertatio. 2014, vol. 39, n. 2, p. 103-119.

domingo, 2 de novembro de 2014

Três Imagens do Contrato Social: Estado, Moralidade, e Direitos Humanos (2014)

Resumo: Este artigo examina três diferentes “imagens” do contrato social. A primeira diz respeito às razões para aceitarmos a existência de uma autoridade política que tenha o poder e a legitimidade de criar leis e impor sanções aos seus cidadãos. A segunda imagem trata das razões para aceitarmos as exigências da moralidade e para a aquisição de um senso de justiça. A terceira imagem do contrato social diz respeito a razões para o estabelecimento de limites de atuação do Estado na vida dos indivíduos. Esses limites são caracterizados em termos de direitos humanos. A terceira imagem do contrato social esclarece em que sentido direitos humanos são universais, mas nega que existam direitos inatos ou direitos naturais.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Três imagens do contrato social: Estado, moralidade, e direitos humanos". In: Filosofia Unisinos. 2014, vol. 15, n. 2, p. 100-115.
doi: 10.4013/fsu.2014.152.02

domingo, 20 de julho de 2014

Moral enhancement and political realism (2014)

Resumo: Em função de alguns avanços no âmbito da neurociência, cada vez mais indivíduos têm feito uso de certas drogas com o objetivo de melhorarem seus desempenhos em diversos tipos de atividades humanas. Quando essas drogas são utilizadas para que um indivíduo possa ter o mesmo desempenho que outros indivíduos saudáveis têm, falamos em "terapia" ou "tratamento". Mas quando indivíduos saudáveis buscam determinadas drogas com o objetivo, não de tratarem uma anomalia, mas de elevarem seu desempenho a um nível superior ao nível considerado normal, falamos então em "aperfeiçoamento" ou "aprimoramento" (enhancement em inglês). Nos esportes, o uso de drogas para "aprimoramento" é bastante difundido. Mas cada vez mais pessoas têm recorrido a drogas com o objetivo de buscarem também "aprimoramento cognitivo" (cognitive enhancement em inglês). O uso de drogas para fins de "aprimoramento", por oposição à "terapia", suscita evidentemente uma série de questões morais, e já existe mesmo uma ampla literatura filosófica que trata da ética do aprimoramento cognitivo.

Mas imaginemos agora, apenas a título de hipótese, que pudéssemos também melhorar o "desempenho moral" das pessoas por meio de drogas. Haveria algum bom argumento contra o "aprimoramento moral" (moral enhancement) de seres humanos? O mundo não seria melhor se pudéssemos modificar as motivações morais dos indivíduos para que eles se tornassem mais cooperativos, solidários, empáticos, menos agressivos, menos egoístas, etc.? Tem havido contemporaneamente um amplo debate sobre a moralidade do "aprimoramento moral". Alguns autores chegam mesmo a propor o "aprimoramento moral" de seres humanos com o objetivo de prevenir guerras catastróficas no futuro.

Este artigo procura mostrar que mesmo que admitíssemos que o "aprimoramento moral" possa se tornar viável e seguro no futuro, o "aprimoramento moral" não seria capaz de resolver questões de justiça no âmbito das relações internacionais. O artigo retoma uma distinção entre "realismo de natureza humana" e "realismo estrutural" com o objetivo de chamar atenção para os limites políticos do "aprimoramento moral".

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Moral enhancement and political realism". In: Journal of Evolution and Technology. 2014, vol. 24, n. 2, p. 29-43.

Hugo Grotius, Contractualism, and the Concept of Private Property: An Institutionalist Interpretation (2014)

Resumo: Esta coletânea, publicada pela editora Ashgate e organizada por Larry May e Emily McGill, reúne uma seleção do melhor da literatura acadêmica em língua inglesa sobre Hugo Grotius. Minha contribuição para o volume é um artigo originalmente publicado no History of Philosophy Quarterly, em 2009.   

Embora seja um importante representante da tradição do direito natural, Grotius não compreendeu a propriedade privada como um direito natural, mas como o resultado de uma convenção social. Neste ensaio mostro de que forma a distinção feita por Grotius no século XVII entre direito à "posse" e direito à "propriedade" antecipa alguns aspectos da teoria das instituições sociais proposta contemporaneamente por John Searle.

"The essays collected for this volume represent the best scholarly literature on Hugo Grotius available in the English language..."

[ site da editora ]  

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de: "Hugo Grotius, Contractualism, and the Concept of Private Property: An Institutionalist Interpretation". In: Grotius and Law, ed. Larry May e Emily McGill. London: Routledge, 2014, p. 295-313.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Lá estava o imperador: Dom Pedro II foi retirado de filme sobre Graham Bell e virou personagem de memória inventada por Roosevelt (2014)

Resumo: Entre a invenção do telefone e o cinema hollywoodiano, Dom Pedro II deixou de ser um personagem real para tornar-se uma referência imaginária. Ao menos no discurso de duas importantes figuras da história norte-americana. Tanto o inventor Alexander Graham Bell (1847-1922) quanto o ex-presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) declararam ter se encontrado com Dom Pedro II em momentos cruciais de suas vidas. Um deles contou a verdade, o outro provavelmente mentiu. Este artigo se vale de documentos inéditos para mostrar por que razões Hollywood deixou de fora a figura de Dom Pedro II em um filme de 1939 sobre a vida do inventor do telefone, Graham Bell. O artigo analisa também o modo como Franklin Delano Roosevelt se refere a um suposto encontro com Dom Pedro II com o objetivo de estreitar as relações diplomáticas com o Brasil no período que precedeu a Segunda Guerra Mundial.

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© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de: "Lá estava o imperador: D. Pedro II foi retirado de filme sobre Graham Bell e virou personagem de memória inventada por Roosevelt". In: Revista de História - Biblioteca Nacional, 2014, n. 102, p. 66-69.

terça-feira, 11 de março de 2014

Entrevista: Política e moralidade na teoria dos contratos sociais (2014 / entrevista)

Em março de 2014 ocorreu na Universidade Unisinos, em São Leopoldo, um simpósio em torno das denominadas "teorias do contrato social". O evento contou com a participação de importantes pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo Thomas Scanlon e Sebastiano MaffettoneA Revista do Instituto Humanitas Unisinos publicou, por ocasião do evento, uma edição especial com entrevistas com os participantes. Nessa entrevista, concedida a Márcia Junges, eu procuro retomar de modo conciso a discussão sobre a possibilidade de fundarmos a moralidade a partir de uma perspectiva contratualista. Procuro também elucidar na entrevista de que forma eu compreendo uma fundamentação da ideia de direitos humanos sem recursos a teses metafísicas ou à suposição de que existam "direitos naturais".

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© Como citar o texto desta entrevista:

ARAUJO, Marcelo de: "Política e moralidade na teoria dos contratos sociais". Entrevista concedida a Márcia Junges e Andriolli Costa. In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos, 2013, vol. 436, ano 14, p. 41-46 (ISSN 1981-8769).

terça-feira, 4 de março de 2014

René Descartes e a Refutação do Ceticismo: Verdade, Coerência, e Correspondência (2014)

Resumo: Nós temos uma infinidade de crenças sobre o mundo à nossa volta. Mas dentre todas as crenças que temos, como separarmos aquelas que são verdadeiras daquelas que são falsas? Para dar uma resposta a essa pergunta, René Descartes propôs um método radical: colocar em dúvida todas as nossas as crenças, e aceitar então como verdadeiras apenas aquelas com relação às quais não pairasse mais nenhuma sombra da dúvida metódica. A partir das crenças que "passam" no teste da dúvida, Descartes procura em seguida reconstruir todo o conhecimento humano sobre novos fundamentos. Por colocar tudo em dúvida, Descartes foi muitas vezes visto como um cético. Mas por tentar também superar as dúvidas que ele próprio se colocou, Descartes oferece uma vigorosa refutação do ceticismo.

Este livro tem como objetivo examinar a teoria do conhecimento de Descartes e o seu projeto de refutar o argumento cético. Marcelo de Araujo examina em detalhe não apenas as obras filosóficas mais conhecidas de Descartes, como as Meditações Metafísicas, o Discurso do Método, e os Princípios da Filosofia, mas também cartas, textos científicos, e até mesmo uma "entrevista" na qual Descartes retoma e esclarece vários tópicos de sua filosofia. A figura que emerge da interpretação proposta por Marcelo de Araujo mostra um filósofo comprometido com o método das ciências empíricas de sua época, e com uma concepção de verdade que apenas mais tarde, no contexto do século XX, será retomada de modo sistemático, a da verdade como coerência.

[ Disponível em: Livraria da Amazon ]

© Como citar este livro:
ARAUJO, Marcelo de: René Descartes e a Refutação do Ceticismo: Verdade, Coerência, e Correspondência. São Paulo: KDP, 2014, 181p. 
ISBN: 978-85-918597-0-2

Um outro livro em que me ocupo da questão do ceticismo em Descartes é:

ARAUJO, Marcelo de: Scepticism, Freedom, and Autonomy: A Study of the Moral Foundations of Descartes' Theory of Knowledge. Berlim / Nova York: De Gruyter, 2003. (ISBN 311017538X).