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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

New Perspectives on the Ethics of Human Enhancement (Workshop)

A ética do aprimoramento humano tem sido objeto de intenso debate filosófico nos últimos anos. O objetivo deste workshop foi reunir alguns pesquisadores que recentemente apresentaram algumas contribuições influentes para o debate internacional sobre a ética do aprimoramento humano.

O evento ocorreu nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2020, no âmbito do "Master Programme Ethics – Economics, Law and Politics (EELP)", vinculado ao Departamento de Filosofia da Universidade de Bochum, Alemanha. O apoio financeiro foi concedido pelo DAAD e pelo KWI (Institute for Advanced Study in the Humanities, Essen).

Palestrantes:
  • Norbert Paulo (Universidade de Salzburg / Universidade de Graz, Áustria) 
  • Gabriel De Marco (Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, Reino Unido) 
  • Sebastian Sattler (Instituto de Sociologia e Psicologia Social, Universidade de Colônia, Alemanha) 
  • Daniele Ruggiu (Departamento de Ciência Política, Direito, e Estudos Internacionais, Universidade de Padova, Itália) 
  • Agata Ferretti (ETH, Instituto Federal Suíço de Tecnologia, Zurique, Suíça) 
  • Saskia Nagel (RWTH Universidade de Aachen / Faculdade de Artes e Humanidades / Departamento de Sociedade, Tecnologia e Fatores Humanos, Alemanha) 
  • Marcelo de Araujo (org.) (Universidade Federal do Rio de Janeiro / Universidade do Estado do Rio de Janeiro) 

[ cartaz ]
[ mais informações ]

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Relatórios do Projeto SIENNA (2020)

O objetivo do Projeto SIENNA é examinar as implicações éticas e jurídicas decorrentes de três tipos específicos de tecnologia: a Inteligência Artificial, o Aprimoramento Humano, e a Genômica Humana. Em seguida, a proposta consiste em desenvolver diretrizes éticas e jurídicas para o uso dessas tecnologias. 

O Projeto SIENNA é coordenado pelo Prof. Philip Brey (Universidade de Twente, Holanda), e envolve a participação de pesquisadores da Holanda, Estados Unidos, Reino Unido, Grécia, África do Sul, Alemanha, China, Suécia, Polônia, Espanha, França, e Brasil. A Universidade Federal do Rio de Janeiro é a única instituição da América Latina participante do projeto. No Brasil, o projeto é conduzido atualmente por Marcelo de Araujo, Fábio Shecaira, e Rachel Herdy. 

Em 2018, os participantes do projeto SIENNA elaboraram três relatórios detalhados sobre os desenvolvimentos mais recentes no âmbito da Inteligência Artificial, do Aprimoramento Humano, e da Genômica Humana. Os relatórios se chamam State-of-the-art Reviews e estão disponíveis para download no site do projeto. 

[ Aprimoramento Humano ] SIENNA D3.1 State-of-the-art review, WP3 - Human Enhancement, 2018.

[ Inteligência Artificial ] SIENNA D4.1 State-of-the-art review, WP4 - AI & Robotics, 2018.


O Projeto SIENNA é financiado pela Comissão Europeia (Programa Horizonte 2020), com um orçamento de aproximadamente 4 milhões de euros para um período de execução de três anos e meio, até 1 de abril de 2021.

Na página do SIENNA, é possível ter acesso a outras publicações produzidas pelos participantes do projeto. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Novas Tecnologias e Dilemas Morais (livro)

O desenvolvimento tecnológico recente vem ocorrendo num ritmo tão intenso, e as consequências para a sociedade são tão complexas, que é difícil avaliar todas as implicações envolvidas. 

Este livro analisa três tecnologias que transformarão nossas vidas nos próximos anos: a inteligência artificial, a biotecnologia, e o aprimoramento humano. 

Muitas reportagens publicadas nos jornais agora são escritas por robôs, mas o leitor nem se dá conta disso. Sofisticados algoritmos já são utilizados para gerar textos acadêmicos, úteis para pesquisadores e estudantes, mas que permitem também novos tipos de fraude que vão muito além do plágio. CRISPR (uma ferramenta para engenharia genética) oferece a possibilidade de cura para vários tipos de doenças, mas representa também uma ameaça para a saúde das futuras gerações. Uma nova técnica de reprodução assistida, conhecida como “in vitro gametogenesis”, pode permitir, nas próximas décadas, que homens produzam óvulos e mulheres produzam espermatozoides, contribuindo para uma transformação radical de ideias como maternidade, paternidade e família. Mas como nos orientarmos nesse labirinto de novidades tecnológicas e desafios morais? 

Este livro explora, de modo claro e acessível, a literatura científica recente sobre esses temas. A ideia é permitir que leitores e leitoras compreendam os dilemas morais que novas tecnologias representam e tirem suas próprias conclusões sobre as questões abordadas.

[ e-book ]
[ paperback (versão impressa) ]
[ resenha por Luciana Adriano ]

© Como citar este livro:
Araujo, Marcelo de. (2019). Novas tecnologias e dilemas morais. São Paulo: KDP. ISBN: 978-85-918597-1-9.

quinta-feira, 8 de março de 2018

O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional (entrevista / 2018)

Em dezembro de 2017 a Prof. Maria Clara Dias e eu demos um depoimento para a revista Rio Pesquisa, da FAPERJ, para falarmos sobre nossa participação no Projeto SIENNA. 

O Projeto Sienna é financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, com um orçamento de 4 milhões de euros para um período de execução de três anos e meio, até 1 de abril de 2021. O projeto, coordenado pelo Prof. Philip Brey (Universidade de Twente, Holanda), é sustentado por um consórcio de pesquisa integrado por 11 instituições. A UFRJ é a única universidade da América Latina participante do projeto.  

O objetivo do projeto é promover um exame crítico acerca das implicações éticas e jurídicas decorrentes de três tipos específicos de tecnologia, a saber: aprimoramento humano, genômica humana, e inteligência artificial. Em seguida, o projeto pretende desenvolver diretrizes éticas e jurídicas para regular o uso dessas tecnologias.

[ PDF ]
[ Projeto Sienna ]

© Como citar o texto dessa entrevista:
MOTTA, Débora. 2017. "O avanço tecnológico e os desafios éticos: Pesquisadores da UFRJ representam a América Latina em projeto internacional que propõe debate sobre os impactos do uso das novas tecnologias em áreas como a de engenharia genética". In: Rio Pesquisa (FAPERJ), vol. 41, ano 11, p. 14-18.

sábado, 12 de agosto de 2017

Editing the genome of human beings: CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancement (artigo / 2017)

Em 2015, uma equipe de cientistas usou uma nova técnica de edição de genes chamada CRISPR-Cas9 para editar o genoma de 86 embriões humanos não-viáveis. O experimento provocou um debate mundial sobre a ética da edição genômica. 

Neste artigo, eu discuto inicialmente as principais questões éticas que foram abordadas nesse debate. Embora já exista um consenso emergente de que a pesquisa sobre a edição de células somáticas humanas para fins terapêuticos deve ser levada adiante, a perspectiva de usarmos edição genômica no futuro com o propósito de "aprimoramento humano" (human enhancement) tem sido bastante criticada. 

A principal tese que defendo neste artigo é que algumas das objeções recentemente levantadas contra a realização de aprimoramento genético no futuro não são justificadas. Apresento dois argumentos para a moralidade do aprimoramento genético. O primeiro argumento procura mostrar que o quadro conceitual com base no qual já avaliamos a moralidade e a legalidade de nossos "direitos de reprodução", especialmente no contexto dos procedimentos de IVF (fertilização in vitro), poderia ser utilizado na avaliação da moralidade e legalidade do aprimoramento genético. O segundo argumento coloca em questão a suposição de que o nível médio de desempenho cognitivo humano tenha um caráter normativo.

[ PDF ]
[ site da revista

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Editing the genome of human beings CRISPR-Cas9 and the ethics of genetic enhancemen". In: Journal of Evolution and Technology. vol. 27, n. 1, p. 24-42.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos (Entrevista / 2017)


Em julho de 2017 foi noticiado o primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 na edição de embriões humanos nos Estados Unidos. Três experimentos desse tipo já haviam sido realizados na China entre abril de 2015 e início de 2017. Mas o experimento nos Estados Unidos foi diferente em alguns aspectos importantes: ele utilizou embriões viáveis, não teve mutações off-target, e apresentou um baixo índice de mosaicismo. 

Tal como o primeiro experimento na China, esse novo experimentou gerou uma série de reações na imprensa mundial e na comunidade científica. 

Nesta entrevista para a a revista do Instituto Humanitas Unisinos eu discuto algumas questões éticas importantes relacionadas ao uso de CRISPR-Cas9 em células humanas.

[ PDF ]
[ no site da revista ]

© Como citar o texto dessa entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "Análise da repercussão do primeiro experimento envolvendo o uso de CRISPR-Cas9 para a edição genética de embriões humanos nos Estados Unidos". In: Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patricia Fachin, em 9 de agosto de 2017. DOI: 10.13140/RG.2.2.34528.58885.

Eu contribuí também para uma reportagem de Martha San Juan França sobre esse tema, publicada em 18 de agosto de 2017 no jornal Valor Econômico.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A ética da edição genômica em debate (programa de rádio / 2017)

Alcino Bonella tem um programa chamado “Quem sabe faz a hora”, na Rádio Universitária Uberlândia FM. O programa trata de questões éticas atuais. A convite do Alcino, eu falei na rádio esta semana sobre a ética da edição genômica. 

O uso de uma nova tecnologia para se "editar" o código genético de organismo vivos vem causando uma revolução na medicina, na biotecnologia, e na agropecuária. A ferramenta se chama CRISPR-Cas9. Essa nova tecnologia já foi usada, por exemplo, na produção de novas sementes de arroz e de batata, mais resistentes a pragas. CRISPR-Cas9 já foi usado também para a criação de mosquitos que não transmitem dengue e zika. Há também a expectativa de que CRISPR-Cas9 possa um dia levar à cura da AIDS e à erradicação de vários tipos de câncer e doenças hereditárias.

O problema, porém, é que que CRISPR-Cas9, em princípio, poderia ser usado também para outros fins como, por exemplo, modificar o genoma da varíola bovina com o objetivo de se recriar o agente patogênico que causa a varíola, erradicada no século XX. Ou seja: CRISPR-Cas9 poderia ser usado na produção de armas biológicas assustadoras.

Além disso, CRISPR-Cas9 poderia ser usado também, no futuro, para a modificação genética de embriões humanos que teriam características "melhoradas", ou seja embriões manipulados geneticamente com vistas à geração de crianças mais inteligentes, mais fortes, etc. Mas isso seria desejável, ou moralmente aceitável?

O debate sobre a ética da edição genômica está apenas começando.

[ áudio ]
[ PDF - transcrição ]

© Como citar este texto: 
ARAUJO, Marcelo de. 2017. "A ética da edição genômica em debate". In: Quem sabe faz a hora. Rádio Universitária Uberlândia FM (107,5 MHz). Apresentação de Alcino Bonella. Uberlândia, 27 de julho (Parte 1) e 3 de agosto (Parte 2). DOI: 10.13140/RG.2.2.25592.75524.

Este texto está também disponível no Research Gate.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano (2016)

O uso de certas drogas para fins de melhoramento do desempenho nos esportes é banido pelas autoridades esportivas. Mas como pretendo mostrar neste artigo, os principais argumentos contra o uso de tecnologias para aprimoramento nos esportes são problemáticos. 

Autores como, por exemplo, Michael Sandel se comprometem com uma concepção metafísica de natureza humana na defesa da manutenção das regras que proíbem o uso de doping. Essa concepção de natureza humana, como procuro mostrar no artigo, é incompatível com a ideia corrente segundo a qual seres humanos resultam de um gradual processo de evolução por seleção natural. 

Disso não se segue, porém, como procuro mostrar na última sessão do artigo, que nenhuma das regras que proíbem o uso de tecnologias para fins de aprimoramento nos esportes seja moralmente justificada. O artigo argumenta em prol de uma liberação parcial de algumas drogas e procedimentos para fins de melhoramento do desempenho nos esportes.

[ PDF ]
[ online ]

© Como citar este artigo:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "Ética nos esportes: Revisitando a questão do doping à luz do debate sobre aprimoramento humano". Prometeus, vol. 9, n. 20, p. 17-39. (ISSN: 2176-5960).

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CRISPR-Cas9: Editando o DNA de plantas, animais, e do próprio ser humano (2016)

CRISPR-Cas9 é uma ferramenta revolucionária para se “recortar e colar” o DNA de qualquer organismo vivo. CRISPR-Cas9 abre as portas para o tratamento e cura de inúmeras doenças hereditárias. CRISPR-Cas9 já tornou possível a criação de mosquitos que não transmitem malária ou dengue, e de sementes mais resistentes a pragas. Especula-se que, nas próximas décadas, porcos geneticamente modificados poderiam ser usados para produzir órgãos que poderiam então ser transplantados em seres humanos.

Mas que tipo de limite deveria ser imposto ao uso dessa nova tecnologia? Do ano passado para cá já foram realizados quatro fóruns mundiais para se debater as implicações éticas e jurídicas da edição do genoma de plantas, animais, e do próprio ser humano. No Brasil, o debate ainda está começando. No link, um artigo meu sobre o tema.

[ PDF ]
[ online ]

© Como citar este artigo: 
ARAUJO, Marcelo de. "Brasil e o genoma humano, discussões sobre o CRISPR-Cas9". In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo), n. 489, ano 16, 18 de julho de 2016, p. 13-15. (ISSN 1981-8793). 

Eu retomo esse tema no livro: Novas Tecnologias e Dilemas Morais.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entre o tratamento e o aprimoramento humano (2015 / entrevista)

Em épocas de Olimpíadas ou de Copa do Mundo vem novamente à tona a discussão sobre o doping nos esportes. Mas já faz algum tempo algumas pessoas vêm se perguntando se não haveria uma outra modalidade de doping, fora dos estádios esportivos: o uso de drogas para melhorar o rendimento nos estudos. Muitas pessoas vêm recorrendo a drogas como metilfenidato ou modafinil para se preparar para provas e concursos. Essas drogas são às vezes denominadas "smart drugs". Mas "smart drugs" realmente funcionam? Elas são seguras? A que tipo de regulação drogas para fins de "melhoramento cognitivo" deveriam ser submetidas? 

Ao mesmo tempo em que começa a surgir no Brasil e em outros países um amplo debate sobre a legalização de drogas para fins "recreacionais", a discussão sobre a existência, eficácia, e segurança de drogas para "aprimoramento cognitivo" não é sequer considerada. 

A Revista da Unisinos dedicou esse número de junho ao debate sobre "smart drugs". Esse debate, como procuro mostrar na entrevista, está subordinado a um debate ainda mais amplo, e que diz respeito ao uso de novas tecnologias para fins de melhoramento de nossa performance em diversas atividades físicas e cognitivas. No link, minha contribuição para o tema. 

[ PDF ]
[ texto online ]

© Como citar esta entrevista: 
ARAUJO, Marcelo de. "Entre o tratamento e o aprimoramento humano?" Entrevista concedida a Ricardo Machado. In: Revista do Instituto Humanitas Unisinos. São Leopoldo, vol. 487, ano 16, 2016, p. 37-42 (ISSN 1981-8769).

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A ética da edição do genoma humano com CRISPR-Cas9 (2016)

Em janeiro de 2016 eu apresentei na Universidade de Oxford, Inglaterra, um trabalho sobre a moralidade da "edição" do genoma humano. A programação do evento, com o resumo do trabalho que apresentei, está disponível no link abaixo. Mas por que esse é um tema importante?

Em Abril de 2015 cientistas chineses publicaram um artigo em que afirmam ter empregado CRISPR-Cas9, um novo método para edição de genoma, em 86 embriões humanos. Os embriões usados no experimento eram "não viáveis", o que significa que não poderiam se desenvolver e formar um feto. O experimento tinha como objetivo investigar a possibilidade de cura para doenças congênitas tais como beta-thalassemia, Tay-Sachs, fibróses cística, hemofilia, etc. Mais recentemente, uma equipe de cientistas britânicos obteve uma autorização para realizar um experimento semelhante. 

A simples possibilidade de que, no futuro, a edição do genoma humano possa vir a ser usada para gerar um bebê com "super-inteligência", ou outras característica previamente escolhida, já foi suficiente para causar um grande debate entre filósofos, cientistas, e legisladores. 

O que está aqui em questão é a moralidade e a legalidade da edição do genoma humano. Trata-se de um debate importante, mas que não teve ainda muitos reflexos no Brasil. 

[ PDF programação ]
[ site do evento ]

© Como citar este abstract:
ARAUJO, Marcelo de. 2016. "The ethics of editing the human genome with CRISPR-Cas9". In Human Enhancement and the Law: Regulating for the Future, 7-8 January 2016, St Anne's College, University of Oxford, p. 14.

A primeira versão desse texto foi apresentada no "7th International Symposium on Justice", na PUC de Porto Alegre, em novembro de 2015.